ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS E OCORRÊNCIA DE Trypanosoma sp. SOBRE O EFEITO DA ALTITUDE EM ROEDORES NO PARQUE NACIONAL DO ITATIAIA
Rodentia; análise hematológica; gradiente altitudinal; tripanosomatídeos
A diversidade de roedores é notável nos mais variados tipos de habitats, despertando considerável interesse nas pesquisas relacionadas aos mecanismos adaptativos e à propagação de doenças transmissíveis por estes mamíferos hospedeiros. O presente estudo teve como objetivo comparar os parâmetros hematológicos de roedores provenientes de duas diferentes áreas de altitude do Parque Nacional do Itatiaia (parte baixa, com 800 - 1500 m, e parte alta, de 2000 - 2500m), além de realizar uma investigação direta através da observação em esfregaço sanguíneo e detecção por meio da Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) visando o gene 18SSU de parasitas do gênero Trypanosoma. Os roedores machos (♂) e fêmeas (♀) foram capturados utilizando-se armadilhas iscadas, e imediatamente após a eutanásia, amostras de sangue foram colhidas através de punção cardíaca (SISBIO 74498-8; CEUA/IOC-035/2018). As análises hematológicas foram conduzidas em roedores pertencentes à Família Cricetidae (Subfamília Sigmodontinae), devido à sua maior representatividade estatística no grupo (N=114). Os valores de hematócrito e eosinófilos mostraram-se superiores nos roedores machos da região baixa (média respectiva de 50,45 ± 9,83; 310,6 ± 299). Todos os grupos da mesma região apresentaram valores de leucometria superiores (♂ média 15597,5 ± 7402,5; ♀ média 13454,1 ± 9579,3), devido aos aumentos nas contagens diferenciais de neutrófilos (♂ média 4367,3 ± 3026,8; ♀ média 3463,4 ± 4193,8), linfócitos (♂ média 10441,4 ± 4954,3; ♀ média 9328,5 ± 6158,0), monócitos (♂ média 156 ± 74; ♀ média 452,5 ± 319,9) e em eosinófilos apenas em machos (média de 310,6 ± 299). Os animais pertencentes à parte alta demonstraram valores superiores apenas em relação à proteína plasmática total (♂ média 6,96 ± 0,8; ♀ média 6,85 ± 0,72) e à plaquetometria (média de 208,1 ± 168,3), sendo este último observado apenas em machos da região. A análise molecular para detecção de espécies do gênero Trypanosoma foi realizada somente em amostras sanguíneas de roedores da região alta (N=74), demonstrando uma taxa de 18,92% (N=14) de animais positivos que não demonstravam nenhum tipo de alteração hematológica associada. Destes, 20% (N=7) eram machos e 16,22% (N=6) fêmeas. Formas tripomastigota foram identificadas em lâminas de esfregaço sanguíneo de quatro animais que também se mostraram positivos na PCR. Todos os animais positivos pertencem à Tribo Akodontini, sendo pertencentes aos gêneros Akodon (Meyen, 1833), Brucepattersonius (Hershkovitz, 1998), Castoria (Pardiñas, Geise, Ventura, Lessa, 2016) e Oligoryzomys (Bangs, 1900). Os dados deste estudo indicam a existência de variados padrões hematológicos entre os espécimes da Subfamília Sigmodontinae ao longo dos gradientes de altitudinais, além de constatar a presença da infecção por Trypanosoma sp. até mesmo em altitudes elevadas. Tal constatação fomenta novos estudos epidemiológicos, que visam elucidar o papel desempenhado por esses roedores na propagação de enfermidades na fauna doméstica, selvagem e na saúde humana.