Avaliação anatomopatológica e estudo retrospectivo das dermatites granulomatosas/piogranulomatosas diagnosticadas em cães e gatos no Setor de Anatomia Patológica da UFRRJ no período de 1994 a 2022
dermatopatias; canino; felino
As dermatopatias estão entre as afecções mais comuns na rotina clínica de pequenos animais. Dentre estas podemos encontrar as inflamações granulomatosas e piogranulomatosas, que são respostas crônicas desencadeadas pela presença de agentes exógenos que geralmente são percebidos como corpos estranhos. As doenças relatadas na literatura, compreendem casos de esporotricose, leishmaniose, micobacteriose, criptococose, demodicose, nocardiose, paniculite estéril, piogranuloma estéril, neosporose, pseudomicetoma, sarcoidose canina e outras. Dentre as doenças granulomatosas/piogranulomatosas destaca-se a esporotricose, doença fúngica, causada por fungos dimórficos encontrados no ambiente do complexo de espécies Sporothrix schenckii: S. schenckii sensu stricto, S. brasiliensis, S. globosa e S. luriei que tem sido observada no Brasil com casos descritos em humanos e gatos relatados em 25 dos 26 estados brasileiros. O Rio de Janeiro atualmente relata o maior número de casos no Brasil, 4.517 casos humanos, 4.916 em gatos e 244 casos caninos foram notificados no Rio de Janeiro, com datas de coleta de amostras de 1991 a 2017. O objetivo deste trabalho foi realizar um estudo anatomopatológico e retrospectivo das dermatites classificadas no SAP/ UFRRJ no período de 1994 a 2022 como granulomatosas e/ou piogranumatosas nas espécies canina e felina. Foram avaliados os seguintes critérios: análise do histórico, idade, raça, sexo, coloração de pelagem, localização, descrições macroscópica e microscópica das lesões, diagnóstico possíveis diagnósticos diferenciais, colorações especiais. Adicionalmente foi realizado levantamento de resultados de cultura bacteriana ou fúngica, além da realização da técnica de reação em cadeia de polimerase (PCR) para elucidação e/ou comprovação diagnóstica dos casos selecionados. Como resultados preliminares foram analisados 90 casos em cães e 22 casos em gatos diagnosticados como dermatite granulomatosa ou piogranulomatosa. Dos resultados obtidos em cães, quanto ao sexo, foram avaliados 44 machos e 46 fêmeas. Os cães tinham de 9 meses a 17 anos de idade e mais da metade, entre 5 anos e 12 anos (54,4%, 49/90). Em 2 casos havia a informação de animais adultos e, em 3, a idade não foi informada. Com relação às raças, os sem raça definida foram a maioria (38), seguidos do Pitbull (10), Poodle (10), Yorkshire (3), Dálmata (2), Labrador (2), Lhasa Apso (2), Dachshund (2), Weimaraner (1), Schnauzer (1), Chow-chow (1), American Bully (1), Pastor Alemão (1), Fox Paulistinha (1), Boxer (1), Bulldog francês (1), Beagle (1), Bull Terrier (1), Cocker Spaniel (1), Shih-tzu (1). As colorações de pelagem foram: branca e preta (7), branca (6), branca e marrom (6), preta (5), rajada (5), amarela (5), cinza (4), marrom e preta (4), marrom (2), amarela e preta (1), branca e cinza (1), não informado (22). Em relação à evolução da doença foram compilados os seguintes tempos: 6 dias (1), 20 dias (2), 21 dias (1) 1 mês (10), 2 meses (5), 3 meses (6), 4 meses (7), 5 meses (2), 6 meses (6), 7 meses (1), 1 ano (7), 1 ano e meio (1), 2 anos (7), 3 anos (2), 5 anos (1), 29 casos não foram havia informação do tempo de evolução. As lesões localizavam-se em ponte nasal (22), membro posterior (13), região dorsal (10), tórax (9), membro torácico (8), bolsa escrotal (5), bolsa escrotal (5), generalizada (5), lombar (4), dígito (4), lábio (4), abdômen (6), próximo a glândula mamária (4), flanco (3), pata (3), orelha (2), base da cauda (2), pescoço (1), face (1), prepúcio (1), coxim (1), periocular (1), pálpebra (1), não informado (3). Em relação à macroscopia, foram avaliadas a cor, forma da superfície externa, consistência e aspecto da lesão ao corte. Em relação à cor das lesões, foram obtidos os seguintes resultados: branca (38), amarela (13), marrom (11), branca e amarela (6), amarela e marrom (5), branco e marrom (4), branco e vermelho (3), branco e cinza (2), vermelho (1), amarelo e cinza (1), cinza (1), rosa (1), cinza e preto (1), não informado (13). Em relação a forma da superfície externa, foram descritos os aspectos irregular (41), cilíndrico (3), exofítico (1), não informado (33). Em relação à consistência: firme (33), macia (21), firme-elástica (9), elástica (1), não informado (16). Em relação ao aspecto ao corte: compacta (45), lisa (19), homogêneo (11), granular (3), não informada (22). Das lesões 48, possuíam úlcera, 39 não possuíam, e 13 a informação não foi informada. Em relação as lesões microscópicas obtivemos os seguintes resultados: inflamação predominantemente neutrofílica (84) e ausentes (6); com presença de macrófagos (75) ou epitelioides (15); presença de linfócitos (47) ou ausentes (43); mastócitos (82) ou ausentes (8); plasmócitos (43) ou ausentes (47); eosinófilos (13) ou ausentes (77); células gigantes (11) ou ausentes (79); formação de granulomas (8) ou ausentes (82); necrose intralesional (77) ou ausente (13); fibrose (21) ou ausente (69). Com relação à intensidade das lesões: discreta (4), moderada (14) ou acentuada (72) e distribuição focal (20), multifocal (44), difusa (26). Com relação aos gatos, foram avaliados 13 machos e 9 fêmeas. Estes tinham de 1 ano a 10 anos de idade, sendo um terço dos animais com faixa etária de 4 a 8 anos (36,36%, 8/22); em 4 casos havia a informação de que eram adultos e, em outros 4, a idade não foi informada. Todos os gatos eram SRD (sem raça definida). As colorações de pelagem foram: preta (3), branca e preta (3), tigrada (3), amarela (1) e, em 12 casos não havia informação. Em relação à evolução da doença foram avaliados os seguintes tempos: 1 mês (1), 3 meses (1), 6 meses (3), 2 anos (1), 3 anos (1) e, em 14 casos não havia informação. As lesões foram descritas no dorso (6), ponte nasal (4), membro posterior (3), orelha (2), abdômen (2), flanco (1), pálpebra (1), região escapular (1), membro anterior (1) e focinho (1). Em relação à cor das lesões, estas foram descritas como branca (8), marrom (3), branca e marrom (1), amarela e marrom (1), amarela (1), branca e preta (1) e não informada (7). Em relação à consistência, havia lesões macias (8), firmes (7) e, em 7 casos esta informação não estava disponível. O aspecto da lesão ao corte era compacto (7), homogêneo (3), multinodular (2), liso (1), granular (1) e, em 9 casos não havia descrição. Em 14 casos, havia ulceração, em 6 as lesões não estavam ulceradas e, em 2 casos, não havia informação. Em relação as lesões microscópicas obtivemos os seguintes resultados: inflamação neutrofílica predominante (21) e ausente (1); com macrófagos (18) ou epitelioides (4); linfócitos (9) ou ausentes (13); mastócitos (3) ou ausentes (19); plasmócitos (10) ou (12); eosinófilos (7) ou ausentes (15); células gigantes (3) ou ausentes (19); formação de granulomas (3) ou ausentes (19); necrose intralesional (5) ou ausente (17); fibrose (7) ou ausente (15); lesão com intensidade discreta (1), moderada (3) ou acentuada (18); distribuição focal (4), multifocal (13) ou difusa (5). Dos 90 casos analisados em cães, 10 foram positivos para a histoquímica ácido periódico de Schiff (PAS). Dentre as 22 amostras de gatos, 5 foram positivas no PAS. Em relação à cultura fúngica 14 casos resultaram positivos para o complexo Sporothrix schenckii em cães. As demais análises encontram-se em andamento.