Virulência e sensibilidade antifúngica da micobiota oral, da pele e cloaca de psitacídeos silvestres em cativeiro
Antifúngicos; Fungos filamentosos; Leveduras ; Patogenicidade
Diferentemente do homem, a micobiota de animais e especificamente de aves é muito pouco estudada. Conhece-se pouco da micobiota oral e das outras áreas do organismo. Sabe-se, no entanto, que as aves são potenciais veiculadores de leveduras e de fungos filamentosos que podem promover doenças nos homens e em outros animais, incluindo as próprias aves. Além deste fato, as próprias aves sofrem consequências em função de desequilíbrios da sua microbiota. Fatores como desmatamentos, crescimento das cidades, caça, contrabando de aves silvestres contribuem para a disseminação de micro-organismos diversos em vários ambientes o que representa um risco à saúde pública. Neste trabalho foram isolados componentes da micobiota oral, da pele/penas e cloaca de 23 aves psitacídeas das espécies Ara ararauna, Ara chloropterus, Amazona aestiva, Amazona amazonica, Amazona rhodocorytha e Aratinga auricapillus, identificando um total de 179 amostras fúngicas diversas. Evidenciando fatores de virulência in vitro inerentes a estes isolados e a sensibilidade a antifúngicos dos isolados com maior potencial epidemiológico. A virulência in vitro foi avaliada pela pesquisa de produção de proteases e fosfolipases, capacidade de hemólise, produção de DNAse, e produção de urease, de acordo com o grupo fúngico isolado. A sensibilidade antifúngica foi avaliada pelo método de microdiluição utilizando os antifúngicos Itraconazol, Voriconazol, Fluconazol, Nistatina e Anfotericina B. Pretende-se contribuir para o conhecimento dos componentes fúngicos de psitacídeos, avaliando a presença de fungos leveduriformes e fungos filamentosos comuns as estas espécies de aves e dentre eles identificar capacidade de produzir fatores de virulência que facilitem transmissibilidade e o contagio de fungos patogênicos aos tutores, profissionais que trabalham com aves, outras animais e como também as próprias aves. Permitindo que o veterinário clínico possa diferenciar as afecções devidas a um aumento proliferativo de fungos no organismo animal daquelas decorrentes da presença de fungos patogênicos não pertinentes aos sítios anatômicos estudados como também auxiliar na escolha de antifúngicos mais assertivos, diante a presença de fungos resistentes ao antifúngicos. Estimular a produção de novos antifúngicos evidenciando a necessidade de pesquisas por novos medicamentos com o crescente surgimento de fungos resistentes aos fármacos mais comumente utilizados. Também contribuiremos para o estudo epidemiológico entendendo a participação de aves na cadeia epidemiológica de zoonoses que tenham a participação de microrganismos fúngicos importantes.