Doenças neurológicas em equídeos no estado da Bahia.
Asinino, cobre, encefalopatias, ferro, sistema nervoso.
As neuropatias representam uma parcela importante das doenças diagnosticadas em equídeos. São causas relevantes de perdas econômicas em equídeos no Brasil e no mundo. Entretanto, poucos estudos foram conduzidos com a finalidade de caracterizar as etiologias das enfermidades neurológicas em asininos. No presente estudo, objetiva- se identificar as características clínicas, epidemiológicas e patológicas das encefalopatias em jumentos nordestinos no estado da Bahia. Os animais eram oriundos de uma fazenda localizada em Serra Preta, na Bahia, onde viviam há cerca de dois anos, junto com outros asininos mantidos sob as mesmas condições de manejo nutricional, sanitário e ambiental. Todos os asininos foram vacinados contra raiva e herpes, além de terem sido testados para AIE, sendo os positivos sanitizados. Amostras de sangue foram coletadas de todos os asininos para a realização de hemograma e exames bioquímicos.
Todos os animais apresentaram apatia, ataxia, abdução de membros e protrusão da língua. Devido ao prognóstico desfavorável, foram encaminhados para necropsia.
Durante a necropsia, foram coletados fragmentos de fígado, rim, pulmão, baço, medula, encéfalo, coração, estômago, intestinos e músculos. Além disso, amostras de fígado foram coletadas para a dosagem dos níveis de cobre e ferro. Fragmentos de SNC foram coletados e encaminhados para realização do exame de imunofluorescência direta (IFD) para o vírus da raiva. Nas propriedades onde os animais estavam alocados anteriormente (Euclides da Cunha e Canudos), amostras de solo e plantas foram coletadas com a finalidade de determinar os teores de minerais. A necropsia revelou laceração focalmente extensa no lábio superior, fígado enegrecido, edema cerebral e úlceras gástricas em todos os animais. Microscopicamente, observou-se pigmento amarronzado em hepatócitos, neurônios cerebrais e medulares, epitélio tubular renal, endotélio e
baço. No fígado, a coloração de rodanina evidenciou cobre. Após a análise dos minerais no fígado, constatou-se a presença significativa de ferro. Suspeitou-se que o excesso poderia ser proveniente do solo ou das plantas. Portanto, foi realizada uma análise dos teores de minerais no solo e nas plantas. Na maioria dos animais, as concentrações de ferro e cobre encontradas estavam abaixo das descritas na literatura para quadros de intoxicação; somente dois apresentaram ferro em concentração elevada no fígado.
Diante disso, os distúrbios neurológicos identificados foram atribuídos a encefalopatias decorrentes de uma hepatopatia grave. No entanto, a origem dessa hepatopatia ainda permanece inexplicada, já que a intoxicação por ferro não apresentou evidências suficientes para ser considerada uma causa provável. Adicionalmente, foram confeccionados dois artigos sobre doenças neurológicas e um sobre neoplasia em equídeos, os quais estão como capítulos da dissertação.