CARACTERIZAÇÃO DAS IMUNOSSUPRESSÕES LOCAL E SISTÊMICA EM CÃES COM NEOPLASIAS MELANOCÍTICAS
imunomodulação; interleucina-10; macrófagos; melanoma
Os mecanismos de evasão tumoral têm sido o cerne de inúmeras pesquisas no intuito de se encontrar novos alvos para terapias imunológicas. Melanomas são neoplasias reconhecidamente imunogênicas e a observação de regressão parcial ou completa de alguns tumores associada à marcada infiltração por linfócitos T contribuem com esta afirmativa. Entretanto, esse tipo de neoplasia também apresenta diversos mecanismos de evasão tumoral, entre eles estão os processos de imunomediação e secreção de citocinas imunossupressoras como a Interleucina-10 (IL-10). Adicionalmente, os componentes do microambiente tumoral podem influenciar de forma positiva ou negativa no desenvolvimento da neoplasia. A polarização de macrófagos M2 no infiltrado inflamatório tem ação pró-tumorigênica, pois essas células secretam citocinas com ação anti-inflamatória e que estimulam a neovascularização local. Este trabalho teve como objetivo caracterizar possíveis imunossupressões local e sistêmica que possam ser utilizadas como marcadores prognósticos em cães com neoplasias melanocíticas. Foram realizadas análises imuno-histoquímicas para pesquisar a expressão de Ki-67, IL-10 em subpopulações de macrófagos M2 com o uso do anticorpo anti-CD-206 que possam estar infiltrados na neoplasia nos linfonodos regionais e órgãos internos quando possível. Para isso, foram utilizados fragmentos embebidos em parafina de neoplasias melanocíticas em cães (orais e cutâneas) e os respectivos linfonodos regionais. Para pesquisa em órgãos internos, foram priorizadas necropsias de cães diagnosticados com melanomas malignos e que tenham morrido em decorrência da doença ou eutanasiados de acordo com indicação do clínico responsável. Até o presente momento, foram coletados dados referentes a 25 casos diagnosticados em cães, sendo quatro melanocitomas e os demais, melanomas. Com relação à epidemiologia, 10 acometeram fêmeas, 15 machos, todos animais eram adultos entre sete e 17 anos de idade. Treze casos eram em pele, 11 em cavidade oral e um foi observado em encéfalo sem relato de neoplasia em outro sítio anteriormente. Entre os melanomas, 19 eram do tipo misto, quatro epitelioides e dois fusiformes. Em 19 dos 25 casos, o pleomorfismo apresentou-se moderado a acentuado e em 14 casos, foram observadas mais de 10 figuras de mitose em 10 campos de maior aumento (Obj. 40x). Até o presente momento, a imuno-histoquímica com o anticorpo Ki-67 apresentou imunorreatividade em 16 casos, todos da variante maligna. Em cinco casos foi observada fração de crescimento superior a 15% tanto no sítio de origem (três em cavidade oral e dois na pele), quanto no linfonodo regional, um caso (sitio de origem na cavidade oral) com fração de crescimento superior a 15% apenas no sítio de origem, outros quatro casos com fração de crescimento elevada apenas nos linfonodos metastáticos (dois sítios de origem na cavidade oral e dois na pele) e em um caso, a fração de crescimento determinada pelo Ki-67 elevada foi observada no pulmão (com sitio de origem na cavidade oral). A expressão de CD206 foi observada em sete casos, com distribuição intratumoral e peritumoral. Demais análises encontram-se em andamento.