Avaliação do efeito da quitosana sobre a cicatrização de feridas cutâneas em suínos: aspectos anatomopatológicos e morfométricos
quitosana, feridas cutâneas, regeneração tecidual
A cicatrização de feridas é um processo fisiológico essencial para a recuperação de lesões cutâneas e desempenha um papel crucial não só na medicina veterinária, mas na saúde como um todo. O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da quitosana, um polissacarídeo derivado da quitina, na cicatrização de feridas cutâneas em suínos, com foco em aspectos histopatológicos e morfométricos. Para isso, foram comparadas as formas de quitosana aerossolizada (QA) e em pó granulado (QG), sendo este último um tratamento convencionalmente utilizado. A pesquisa seguiu as normas e diretrizes ISO 10993-6, que orientam a avaliação de biocompatibilidade de materiais usados em dispositivos médicos, assegurando a confiabilidade e a aplicabilidade dos resultados. A metodologia envolveu a indução de feridas cutâneas em suínos, seguida pela aplicação dos tratamentos com QA ou QG. As avaliações macroscópica, histopatológica e morfométrica ocorreram nos dias 14 e 28 após a indução da lesão, e os parâmetros analisados incluíram a deposição de colágeno, angiogênese, reepitelização e a resposta inflamatória nos tecidos lesionados. A avaliação macroscópica concentrou-se em mensurar a extensão da lesão, presença de crostas, hemorragia, material necrótico e cicatriz. Não houve diferenças macroscópicas entre as feridas avaliadas para os dois grupos experimentais. A avaliação histopatológica seguiu critérios estabelecidos pela normativa ISO, com foco na reatividade tecidual, a formação de tecido de granulação e a organização do colágeno. Os resultados mostraram que ambos os tratamentos promoveram uma cicatrização eficaz, com QA apresentando reatividade tecidual nas feridas levemente maior, em comparação com o grupo controle tratado com QG. Contudo, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos em relação à deposição de colágeno ou na formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese), o que sugere que, embora o tratamento com QA relacione-se uma resposta mais intensa nas fases iniciais de cicatrização, ambos os tratamentos resultam em regeneração tecidual satisfatória. As análises morfométricas, que incluíram a medição da espessura do epitélio e a quantificação de novos vasos sanguíneos, mostraram que a reepitelização foi semelhante nos dois grupos, com uma leve tendência de maior espessura epitelial nas feridas tratadas com QA, mas sem diferenças estatísticas. Os resultados apresentados demonstraram a evolução da cicatrização nas duas formulações ao longo do tempo, destacando que a QA promoveu uma resposta inflamatória mais pronunciada nas primeiras duas semanas, que gradualmente evoluiu para uma fase mais estável de cicatrização. Este estudo conclui que a quitosana, especialmente na forma QA, é uma alternativa promissora para o tratamento de feridas cutâneas em suínos, apresenta boa eficácia na promoção da cicatrização e facilita a aplicação a campo. No entanto, são necessários mais estudos para validar sua eficácia em diferentes modelos clínicos, além de explorar as vantagens desta formulação em comparação com outros tratamentos disponíveis.