CARACTERIZAÇÃO DAS IMUNOSSUPRESSÕES LOCAL E SISTÊMICA EM CÃES COM NEOPLASIAS MELANOCÍTICAS
imunomodulação; macrófagos; melanoma
Os mecanismos de evasão tumoral têm sido o cerne de inúmeras pesquisas no intuito de se encontrar novos alvos para terapias imunológicas. Melanomas são neoplasias imunogênicas e a observação da regressão parcial ou completa associada à marcada infiltração por linfócitos T contribuem com esta afirmativa, entretanto, esse tipo de neoplasia também apresenta diversos mecanismos de evasão tumoral. Além disso, os componentes do microambiente tumoral influenciam de forma positiva ou negativa no desenvolvimento da neoplasia. A polarização de macrófagos M2 no infiltrado inflamatório tem ação pró-tumorigênica, pois secretam citocinas com ação anti-inflamatória que estimulam a neovascularização local. O objetivo deste trabalho foi caracterizar as imunossupressões local e sistêmica em cães diagnosticados com neoplasia melanocítica no Setor de Anatomia Patológica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (SAP/UFRRJ). Foram realizadas análises imuno-histoquímicas para pesquisar a contagem de subpopulações de macrófagos M2 com o uso do anticorpo anti-CD-206, que possam estar infiltrados na neoplasia, nos linfonodos regionais e, quando provenientes de necropsia, nos demais órgãos (baço, pulmão, encéfalo), além da fração de crescimento ou índice de Ki-67. Foram utilizados blocos de parafina do arquivo SAP com fragmentos de neoplasias melanocíticas em cães (orais e cutâneas) e os respectivos linfonodos regionais. Para pesquisa em órgãos internos, foram priorizadas necropsias de cães previamente diagnosticados e doados para estudo com termo de consentimento. Foram coletados dados referentes a 25 neoplasias melanociticas em cães, sendo quatro melanocitomas e, os demais, melanomas. Com relação à epidemiologia, 9 acometeram fêmeas, 16 machos e todos os animais eram adultos entre sete e 17 anos de idade. Treze casos estavam localizados na pele e 12 na cavidade oral. Entre os melanomas, 19 eram do tipo misto, quatro epitelioides e dois fusiformes. Em 19 dos 25 casos, o pleomorfismo apresentou-se moderado a acentuado e, em 15 casos, foram observadas mais de 10 figuras de mitose em 10 campos de maior aumento (Obj. 40x). A imuno-histoquímica com o anticorpo Ki-67 apresentou imunorreatividade em 20 casos, todos da variante maligna. Em 13 casos foi observada fração de crescimento elevada. Sete destes, com origem cutânea e os outros 6, na cavidade oral. A expressão de CD206 foi observada em 21 casos, com distribuição intratumoral e peritumoral. Destes, 14 com origem cutânea e outros 7, na cavidade oral. Desta maneira, pôde-se demonstrar indícios de alterações e ajustes locais e/ou sistêmicos em cães com neoplasias melanocíticas e estabelecer novos marcadores de prognóstico, como o CD206, de maneira a complementar e tornar mais preciso o prognóstico dessas neoplasias em cães, além de subsidiar pesquisas neste campo em humanos.