Diagnóstico molecular de patógenos transmitidos por vetores em cães de aldeias indígenas do Estado do Rio de Janeiro.
Doenças transmitidas por vetores; cães; comunidades indígenas; reação em cadeia da polimerase; Saúde Única.
As doenças transmitidas por vetores em cães constituem importante desafio para a medicina veterinária, especialmente em comunidades indígenas que mantêm estreita relação com os ecossistemas da Mata Atlântica, favorecendo a exposição a artrópodes hematófagos e a agentes com potencial zoonótico. A vulnerabilidade socioambiental dessas populações pode contribuir para a manutenção e circulação desses patógenos. O presente estudo teve como objetivo detectar patógenos transmitidos por vetores em cães de aldeias indígenas localizadas na região da Costa Verde (Paraty e Angra dos Reis) e no município de Maricá, no estado do Rio de Janeiro, bem como avaliar possíveis fatores epidemiológicos associados à infecção. Foram coletadas amostras de sangue de 152 cães provenientes de seis aldeias indígenas. A detecção dos agentes foi realizada por meio de PCR quantitativo (qPCR) e PCR convencional (cPCR), utilizando primers específicos para Ehrlichia canis, Anaplasma phagocytophilum, Babesia vogeli, Dirofilaria immitis, Acanthocheilonema reconditum e Hepatozoon canis. Foram realizadas análises estatísticas bivariadas para investigar associações entre positividade e variáveis individuais, ambientais e de manejo. As análises moleculares evidenciaram positividade para cinco agentes distintos: D. immitis (17,1%), A. reconditum (14,5%), E. canis (8,6%), H. canis (2,6%) e B. vogeli (1,3%), não sendo detectado cães positivos para A. phagocytophilum pela qPCR. As coinfecções foram pouco frequentes, ocorrendo em três animais. A análise epidemiológica demonstrou associações estatisticamente significativas entre idade e infecção por E. canis e A. reconditum, bem como entre o consumo de carne crua e a positividade para D. immitis. Observou-se ainda variação espacial na distribuição dos agentes entre as aldeias avaliadas. Conclui-se que há ampla circulação de patógenos transmitidos por vetores nas aldeias indígenas estudadas, representando importante desafio para a saúde animal e potencial risco à saúde pública. Os achados reforçam a necessidade de medidas preventivas, vigilância epidemiológica contínua e estratégias integradas sob a perspectiva da Saúde Única, considerando a interdependência entre saúde animal, humana e ambiental.