Uso da associação Tiletamina-Zolazepam-Butorfanol-Dexmedetomidina comparada a Butorfanol-Propofol-Isoflurano na eletrorretinografia de cães.
anestesia inalatória, sedação balanceada, ERG, pastor de molinois
A eletrorretinografia (ERG) é um registro da atividade elétrica da retina, exame de grande importância na rotina oftalmológica. O mesmo apresenta grande sensibilidade a interferências externas, tais como grau de sedação do paciente, fármacos empregados e os equipamentos de monitorização utilizados. Na espécie canina, diversas técnicas e protocolos anestésicos já foram propostos e descritos, entretanto, mesmo diante da necessidade de padronização, ainda não existe um consenso sobre qual proporciona uma melhor realização do exame com maior segurança anestésica. Desta forma, o presente trabalho objetiva comparar a realização da ERG, conforme as diretrizes da Sociedade Internacional de Eletrofisiologia Visual Clínica (ISCEV) em seis cães da raça Pastor Belga de Molinois hígidos, entre 1 e 5 anos, submetidos aleatoriamente e em intervalo de 15 dias, aos dois protocolos anestesicos: 0,02 mL/kg, via intramuscular (IM), da solução TDex (50 mg do liofilizado de tiletamina-zolazepam diluído em solução de 25mg butorfanol 1% e 0,125 mg dexmedetomidina 50%); e 0,2mg/kg de butorfanol (IM), 5mg/kg de propofol (IV) e isoflurano vaporizado a fim de manter plano cirúrgico superficial segundo parâmetros clínicos. Todos os animais foram intubados, fizeram uso de bandagem para adaptação ao escuro, receberam rocurônio (0,05 mg/kg IV) e tiveram os parâmetros vitais monitorados, via multiparamétricos a bateria e coberto por filtro vermelho. Ambos os protocolos se mostraram eficazes, o exame sob anestesia inalatória proporcionou maiores respostas retinográficas, embora estatisticamente ambos sejam semelhantes, menor tempo total de exame e melhores escores de recuperação. A incidência de intercorrências anestésicas foi semelhante, porém hipotensão foi mais frequente com isoflurano, enquanto hipercapnia foi mais frequente no estudo Tdex. Não só a escolha do anestésico mas também o ajuste do plano anestésico se mostrou determinante para a aquisição de registros de qualidade.