Banca de QUALIFICAÇÃO: GABRIELA DE CARVALHO CID

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : GABRIELA DE CARVALHO CID
DATA : 02/12/2019
HORA: 09:00
LOCAL: Instituto de Veterinária
TÍTULO:

Avaliações clínico-patológica e imunohistoquímica de lesões cardíacas em gatos (Felis catus) com doença renal crônica


PALAVRAS-CHAVES:

Felino, Imunohistoquímica, Troponina, Miocárdio


PÁGINAS: 77
RESUMO:

A troponina I (cTnI) é uma proteína expressa unicamente pelas células do miocárdio, e portanto um marcador sensível e específico de lesão cardíaca em humanos, cães, gatos e equinos. A troponina I cardíaca não se expressa no músculo esquelético humano durante o desenvolvimento fetal, após trauma do músculo esquelético ou durante a regeneração desse tipo de músculo. Ao contrário da CK-MB, a troponina I cardíaca é altamente específica para o tecido miocárdico, não é detectável no sangue de pessoas sadias, mostra um aumento proporcionalmente bem maior acima dos valores limite, nos casos de infarto do miocárdio pode permanecer elevada por 7 a 10 dias após o episódio agudo. Para a espécie felina, os valores de referência normais para cTnI sérica variam de 0,03 a 0,16 ng / ml . Sabe-se que o coração e os rins mantêm a homeostase hemodinâmica por meio de uma estreita relação que regula o débito cardíaco, o volume e o tônus vascular. Com base nestas informações, o objetivo deste estudo foi avaliar a ocorrência de danos aos cardiomiócitos de felinos com doença renal crônica (DRC) através da dosagem sérica de cTnI e detectar lesões em cardiomiócitos que, por vezes não apresentam sinais morfológicos de agressão, além de demonstrar que as áreas agredidas podem ser maiores que o evidenciado na coloração hematoxilina & eosina (H.E.). Foram utilizados 20 felinos com DRC (12 fêmeas e 8 machos) a partir do estágio II, de acordo com o estadiamento proposto pela IRIS, independente de raça, sexo ou idade. Anterior à utilização destes animais, foi solicitada autorização prévia do tutor para realização de exame clínico seguido de colheita do sangue. Como critério de inclusão, os pacientes deveriam apresentar azotemia (Ref.: ≥ 1,6mg/dL). Foram excluídos os animais que apresentavam doença cardíaca primária ou outras condições que pudessem levar ao aumento da cTnI sérica, tais como cardiomiopatia hipertrófica, hipertireoidismo, neoplasia cardíaca primária ou metastática. A avaliação dos níveis séricos de cTnI foi realizada nos 20 gatos; destes, 10 apresentaram valores elevados de troponina sérica – acima de 0,16ng/mL. Dos 10 animais que apresentaram os valores de cTnI sérica elevados (Ref.:0,03 – 0,16ng/mL), dois encontravam-se no estágio II e oito animais no estágio IV da IRIS. Para o exame histológico e imuno-histoquímico, foram coletadas regiões do ápice, septo interventricular, ventrículo esquerdo, ventrículo direito, músculo papilar esquerdo, músculo papilar direito, átrio direito e átrio esquerdo do coração. O exame imuno-histoquímico revelou, em dois animais, marcada perda de troponina em grandes grupos de cardiomiócitos e, em 9 animais houve variação de sutil a leve no padrão de marcação pelo anticorpo antitroponina C com miócitos isolados apresentando perda marcada da imunorreatividade. Em alguns casos havia diversos pequenos grupos de miócitos que tinham marcada diminuição de imunorreatividade principalmente nas regiões do ápice e músculo papilar; essas áreas correspondiam a células com alterações imperceptíveis ou muito discretas no H.E. Os resultados da avaliação imuno-histoquímica confirmaram a presença de alterações regressivas, ou seja, a técnica foi capaz de detectar lesões muito precoces (regiões do miocárdio sem sinais morfológicos de agressão), e demonstrou que as áreas agredidas/lesadas eram maiores que o evidenciado no H.E. O uso de troponinas como importante indicador imunohistoquímico de lesão cardíaca já foi demonstrado caninos, bovinos e ovinos, entretanto não havia estudos em felinos e, no presente estudo, todos os cardiomiócitos com características histológicas de morte celular, não apresentaram marcação anti-troponina, o que demonstra alta sensibilidade do marcador para a espécie. A partir desses dados, observa-se que 80% dos animais que apresentaram elevação nos níveis séricos de cTnI encontravam-se no estágio IV, ou seja, quanto maior o estágio da DRC, maior a probabilidade de apresentar lesão miocárdica. Outro dado observado nos 10 animais que apresentaram valores de cTnI elevados, foi que destes, 4 eram machos e 6 eram fêmeas e, dos dois animais dentro do estágio II, havia um macho e uma fêmea. Já no estágio IV, havia três machos e cinco fêmeas, o que sugere não haver correlação entre o sexo e o grau de lesão miocárdica em felinos com DRC. Este estudo demonstra que a utilização de biomarcadores de lesão miocárdica pode auxiliar os veterinários a aprimorarem o julgamento clínico nas decisões sobre condutas terapêuticas nos pacientes com DRC.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2606155 - VIVIAN DE ASSUNCAO NOGUEIRA CARVALHO
Interno - 2929022 - SAULO ANDRADE CALDAS
Externo ao Programa - 3120060 - ALEXANDRE JOSE RODRIGUES BENDAS
Notícia cadastrada em: 02/12/2019 08:45
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