Bovinocultura Leiteira Orgânica nas Regiões Serrana e Sul Fluminense do Estado do Rio de Janeiro: Caracterização e Aspectos Sanitários da Produção
A recente preocupação dos consumidores com a segurança alimentar e com os impactos da contaminação e degradação ambiental contribuem para o aumento na demanda por alimentos orgânicos, dentre os quais o leite e derivados figuram entre os principais produtos de interesse comercial. O valor agregado do produto orgânico é duas ou três vezes superior comparado ao leite e derivados produzidos sob a forma convencional, fato que tem motivado a migração de produtores tradicionais para a modalidade orgânica. Entretanto, a produção de leite orgânico no Brasil é considerada insipiente, sendo a escassez de informações sobre o setor um dos fatores contribuintes para este cenário. Pela legislação que rege a produção orgânica, o controle sanitário do rebanho leiteiro deve se basear no uso de produtos homeopáticos, fitoterápicos e na acupuntura. Porém, pouco se conhece sobre as estratégias realmente utilizadas pelos produtores para contornar os problemas sanitários e nem mesmo se estas são efetivas, o que justifica as pesquisas junto às unidades de produção para sanar estas lacunas de conhecimento sobre a pecuária orgânica. Sendo assim, o objetivo deste projeto consiste na realização de um levantamento das doenças que acometem os animais em diferentes fases da criação e os subsequentes tratamentos utilizados nos rebanhos de pecuária leiteira orgânica nas regiões serrana e sul fluminense do estado do Rio de Janeiro e avaliar as condições sanitárias relativas à qualidade do leite através dos parâmetros: Contagem de Células Somáticas (CCS) e Contagem Bacteriana Total em Unidades Formadoras de Colônia (UFC). O presente projeto será submetido à Comissão de Ética no Uso de Animais do Instituto de Veterinária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CEUA/IV/UFRRJ). O estudo será realizado em propriedades certificadas ou em fase de certificação para a produção de leite orgânico localizadas nas regiões serrana e sul fluminense do estado do Rio de Janeiro. As entrevistas irão ocorrer de dezembro de 2018 a julho de 2019. Elas serão realizadas de forma semiestruturada através da aplicação de um questionário com perguntas previamente elaboradas abordando em blocos os seguintes aspectos: informações sobre o proprietário e a propriedade; caracterização da atividade leiteira orgânica na propriedade; características da produção; características do rebanho; manejo nutricional e aspectos sanitários do rebanho. As informações obtidas serão conferidas com a observação in situ da propriedade, do rebanho e do manejo. Além disso, uma amostra de leite de cada propriedade será colhida no dia da entrevista a partir do tanque de resfriamento ou latões para análise dos indicadores Contagem de Células Somáticas (CCS células/mL) e Contagem Bacteriana Total em Unidades Formadoras de Colônias (UFC/mL) a fim de avaliar as condições sanitárias do rebanho e manejo de ordenha. Estas amostras serão encaminhadas para o Laboratório da Rede Brasileira de Qualidade do Leite (RBQL) da Embrapa Gado de Leite localizada em Juiz de Fora, MG. As análises dos dados relativos às entrevistas serão realizadas de forma qualitativa. Enquanto que os valores obtidos pela análise do leite relativos à UFC (x106/mL) e CCS (x103/mL) serão comparados e discutidos com os permitidos na legislação de controle de qualidade do leite vigente. Os valores percentuais serão submetidos à análise não-paramétrica e as médias comparadas pelo teste de Qui-Quadrado, a 5% de probabilidade.