Aplicação Intramamária de Plasma Rico em Plaquetas no Tratamento de Vacas Secas
imunologia, bovinos, mastite
O Plasma Rico em Plaquetas (PRP) vem sendo utilizado com sucesso em vários campos da medicina, com propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas, e seu uso in loco pode induzir uma resposta imune local na glândula mamária de bovinos e minimizar o uso de antibióticos. Este trabalho objetivou avaliar a resposta da aplicação intramamária de PRP na interrupção da lactação e seu efeito na lactação subsequente. Foram utilizadas nove vacas mestiças (holandês xzebu), sadias, gestantes, reagentes ao California Mastitis Tests. Uma semana antes da secagem foram colhidas amostras de sangue (Amostra 1/A1), para realização de hemograma completo e TBARS, e leite para isolamento microbiano, determinação da composição, contagem de células somáticas, contagem diferencial de células e dosagem de interleucinas. No último dia de ordenha, após esgotamento e antissepsia das tetas, foram instituídos os tratamentos em aplicações intramamárias: T1 (3 vacas, 12 quartos mamários (QM)): antibiótico (ATB); T2 (3 vacas, 12 QM): 10 mL de PRP; T3 (3 vacas, 12 QM): 10 mL de PRP com ATB. As análises foram repetidas entre 24 e 36 horas após o parto (D0) e 14, 30 e 60 dias após (D14, D30 e D60). O delineamento foi inteiramente casualizado com arranjo em parcelas subdivididas. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas utilizando o teste de Bonferroni (Prism 5.0), com nível de confiança de 95% (p<0,05). O método de obtenção do PRP foi eficiente, concentrando em quase 10 vezes a contagem plaquetária em relação ao sangue (290±40 para 2.477±500 plaquetas/mL). Não houve diferença na CCS em A1 (p>0,05), sendo elevada em todos os grupos. Após o parto, a maior média de CCS foi verificada no D30 no T3, com diferença em relação ao T1. A CCS foi mais baixa no T1 em todos os momentos após o parto, intermediária no T2 (D14 e D60) e mais elevada no T3 (D14 e D60). Maiores CCS podem indicar mobilização para a glândula mamária de células de defesa, porém indicativo de reação inflamatória. Quanto à composição do leite houve em A1, com menores teores de gordura no T2 e os três grupos diferiram em relação ao extrato seco total, extrato seco desengordurado e proteínas. Após o parto, os teores de gordura e ESD do T2 foi semelhante aos demais, demonstrando recuperação na produção láctea pela glândula mamária. Em relação ao hemograma, todos os constituintes do eritrograma, em todos os momentos e grupos mantiveram-se dentro do intervalo de normalidade para a espécie. Já na série branca, leucocitose foi observada no T1 (entre D0 e D30), no T2 ( D0) e T3 (todos os momentos), com predominância de desvio à esquerda. Nas amostras colhidas antes da secagem, ECN foi o micro-organismo mais isolado, seguido de Streptococcus spp.. e Staphylococcus spp. Após o parto, independente do tratamento, houve predominância de ECN e Corynebacterium spp. Dados de TBARS, interleucinas e contagem diferencial das células do leite são necessários para concluir os efeitos do uso do PRP no momento da secagem.