EFICÁCIA DA REIDRATAÇÃO ORAL EM BEZERROS DIARREICOS
Diarreia, desidratação, reposição eletrolítica, hidratação, enteral
Diarreia, definida como o aumento na frequência de defecação, fluidez ou volume do conteúdo fecal é uma enfermidade multifatorial resultante da interação entre imunidade, meio ambiente, nutrição e uma ampla variedade e associação de patógenos. Muitas causas são enumeradas e a doença varia em gravidade segundo o agente causal e a capacidade de resposta do organismo. Destaca-se como uma das principais causas de óbito nas primeiras quatro semanas de vida de bezerros que, frequentemente, apresentam balanço energético negativo e desenvolvem desidratação, acidose, endotoxemia e distúrbios eletrolíticos. Neste contexto, objetiva-se no presente trabalho, o tratamento direcionado para a correção destes fatores, por meio da reidratação de bezerros diarreicos, independente do agente e do mecanismo de ação. Diariamente, os bezerros com até os 15 dias de idade, provenientes da Embrapa Gado de Leite, localizada em Coronel Pacheco, MG, serão submetidos a uma inspeção completa (avaliação da condição corporal e estado geral, observação do comportamento, apetite e fezes) seguida de aferição dos parâmetros vitais (temperatura, frequências respiratória e cardíaca, tempo de preenchimento capilar e turgor cutâneo). Animais com alteração nesses parâmetros serão avaliados detalhadamente, sendo realizados exames complementares, quando necessários. Bezerros que apresentarem diarreia serão identificados, separados e mantidos em observação. Animais que apresentarem fezes de consistência fluida (escore 3) e sem presença de sangue ou elementos anormais, sem febre e com desidratação estimada em 8 a 10% serão aleatoriamente inseridos em dois grupos de tratamento, um recebendo terapia de reposição eletrolítica oral e outro com reposição parenteral, cada grupo com no mínimo seis animais. Será utilizado para a administração intravenosa o ringer com lactato e para administração oral uma solução formulada de forma a manter a concentração de íons semelhante ao ringer com lactato. O volume a ser administrado deverá incluir a quantidade de fluidos perdida (porcentagem estimada de desidratação multiplicada pelo peso do animal em quilos). O volume de reposição será administrado para o G1 (parenteral) por via intravenosa e, para o G2 (enteral), por meio de sonda oro-esofágica em fluxo contínuo. O volume de manutenção para ambos os grupos será fornecido por via oral, por meio de baldes, sendo neste caso, a ingestão voluntária calculada em intervalos de duas horas. Ambos os protocolos de administração serão efetuados por um período de 24 horas, período em que a alimentação com leite será suspensa, sendo restabelecida logo após. Amostras de sangue serão colhidas por venopunção da jugular no momento da apartação, imediatamente após a identificação da diarreia e 2, 4, 12, 24 e 48 horas após o inicio do tratamento, realizando-se variadas análises (hemograma completo, bioquímica sérica, vasopressina, peptídeo natriurético atrial e angiotensina I, além da mensuração dos teores sanguíneos de sódio, potássio e cloreto). Amostras de urina serão colhidas para urinálise e teste de inulina.