EFEITO DA INFUSÃO INTRAUTERINA DE DIMETILSULFÓXIDO SOBRE A VASCULARIZAÇÃO E O PERFIL MICROBIOLÓGICO UTERINO EM ÉGUAS COM ENDOMETRITE
DMSO; Ultrassonografia; Power Doppler; Gestação
O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia da utilização intrauterina de dimetilsulfóxido (DMSO) em éguas com endometrite clínica/subclínica, caracterizando sua ação na reação inflamatória, microbiota presente e vascularização uterina. Quarenta e três éguas foram acompanhadas por dois estros (C1 e C2), realizando ultrassonografia uterina Doppler no modo power flow (UPF) após observação de um folículo ≥ 35mm e edema endometrial ≥ 3 (dia 1 – M1) até um dia antes da ovulação. No M1 de cada ciclo, amostras uterinas foram coletadas para exame citológico e microbiológico. Após o exame citológico, foram distribuídos os seguintes grupos: G1 (n = 10): citologia negativa e administração intrauterina de DMSO; G2 (n = 10): citologia negativa e administração de solução fisiológica; G3 (n = 13): citologia positiva e administração de DMSO e G4 (n = 10): citologia positiva e administração solução fisiológica. De acordo com cada grupo experimental, o seguinte protocolo foi realizado - M1: infusão intrauterina de 100 mL de DMSO 30% ou solução fisiológica; M2: lavagem intrauterina com 1000 mL de DMSO 30% ou solução fisiológica e 10 UI de ocitocina, i.m., após o procedimento. O protocolo foi repetido em C2, porém, apenas a solução fisiológica intrauterina foi utilizada. No terceiro ciclo, os animais foram inseminados ou receberam embriões para avaliação da fertilidade. No C2, o G4 apresentou maior número de neutrófilos / campo que G1, G2 e G3 (P <0,05), enquanto na avaliação entre os ciclos, no C2, o G2 aumentou e o G3 apresentou redução (P<0,05). Quanto ao número de gêneros bacterianos, no C1 e C2, o G4 apresentou maior diversidade que G1, G2 e G3 (P<0,05). Entre os ciclos, no C2, houve redução apenas no G1 (P <0,05). Quanto ao número de gêneros fúngicos, no C1, o G1 não apresentou crescimento e G2, G3 e G4, foram semelhantes (P>0,05). No C2, G4 apresentou maior número de gêneros que G2 e G3 (p <0,05). Entre os ciclos, no C2, G2 o número de gêneros diminuiu no G2 e G3 (P <0,05) e no G4 não sofreu alteração (p> 0,05). Na avaliação da fertilidade, G1, G2 e G3 tiveram gestações confirmadas semelhantes com taxas superiores ao G4 (P<0,05). Na intensidade dos pixels coloridos (IPC), aferida através da UPF uterina, observou-se que: no C1, G1 e G2 tiveram IPC menores que G3 e G4 (P <0,05) e G3 foi maior que G4 (P<0,05). No C2, o IPC foi maior no G4 (P<0,05). Na média geral das éguas que se tornaram gestantes ou não, independente do grupo experimental, entre C1 e C2, observou-se que as éguas não gestantes mantiveram o padrão de IPC (P> 0,05) e aquelas que gestaram apresentaram redução no C2 (P<0,05). Concluiu-se que a utilização do protocolo de infusão / lavagem uterina com DMSO diminuiu o processo inflamatório, eliminou ou alterou a carga microbiológica e aumentou a fertilidade e que a UPF pode ser utilizada como método diagnóstico auxiliar em casos de endometrite clínica.