CARACTERIZAÇÃO DOS ACHADOS DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA DE CÃES PORTADORES DE MICROHEMORRAGIAS CEREBRAIS
envelhecimento, RM, T2*, atrofia cerebral
Os avanços da medicina veterinária levaram a um aumento na expectativa de vida dos cães, e alterações relacionadas ao envelhecimento são cada vez mais reconhecidas, como as microhemorragias cerebrais (MHCs), no entanto existem poucos estudos descrevendo sua ocorrência e epidemiologia em cães. As MHCs são pequenas áreas focais, hipointensas, intraparenquimatosas visualizadas na sequência de T2 gradiente eco (T2*) da ressonância magnética (RM). O objetivo deste estudo retrospectivo foi descrever as características epidemiológicas e achados de RM de cães com MHCs, e sua associação com alterações do envelhecimento e outros achados intracranianos concomitantes. O banco de dados do Centro de Referência Veterinária (CRV Imagem, Rio de Janeiro), entre janeiro de 2019 e setembro de 2020 foi revisado. Foram incluídos cães submetidos a RM de encéfalo com as sequências de T2*, T2, FLAIR, T1 pré e pós contraste. Cães com pelo menos uma microhemorragia, identificados a partir de critérios pré estabelecidos, foram incluídos no grupo MHC e os animais restantes foram utilizados como controle (grupo C). Variáveis epidemiológicas (raça, sexo e idade) e achados de RM concomitantes obtidos por meio dos registros radiológicos foram comparadas entre os grupos. No grupo MHC, o número, localização anatômica (cortex cerebral, núcleos da base, tálamo, tronco encefálico e cerebelo) e distribuição das MHCs (lobar e profunda) foram avaliados. Um total de 747 cães se enquadraram nos critérios de inclusão. Desses, 142 (19%) cães apresentaram >1 MHCs. Cães com MHCs foram mais velhos do que os cães controle (mediana 14 vs. 9 anos) e a incidência de lesões aumentou com idade, principalmente a partir dos 10 anos. Cães de pequeno porte foram significativamente mais afetados comparados a cães de grande porte. A maioria dos cães tinha múltiplas MHCs (62%), principalmente com uma distribuição lobar (57,7%). Atrofia cerebral foi identificada concomitantemente com MHCs em 61,3% dos cães. Conclui-se que as microhemorragias cerebrais foram um achado comum de RM associada ao envelhecimento em cães de pequeno porte, com incidência crescente em cães com mais de 10 anos e frequentemente associadas à atrofia cerebral.