TAXONOMIA E ECOLOGIA DE COCCÍDIOS DE AVES SILVESTRES DO SUDESTE BRASILEIRO: COCCÍDIOS DE TRAUPÍDEOS (PASSERIFORMES: THRAUPIDAE) NO PARQUE NACIONAL DE ITATIAIA, RJ
Isospora; oocistos; taxonomia; ecologia; Passeriformes;
A ação antrópica e a destruição das florestas tropicais pode alterar completamente os ecossistemas terrestres, as aves são grandes afetadas e consequentemente as faunas parasitárias relacionadas a estas. A região das Américas com o maior índice de aves em extinção é a floresta atlântica, onde restam apenas 10% de áreas nativas preservadas, sofrendo efeitos de fragmentação de habitat. As parasitoses podem influenciar na nutrição,
comportamento reprodutivo e consequentemente densidade populacional das aves silvestres por favorecerem o aparecimento de infecções secundárias. O ritmo circadiano quando diferenciado nas espécies de coccídios, naturalmente contribui com o aparecimento de infecções múltiplas em passeriformes, é necessária uma avaliação morfológica e morfométrica cuidadosa na identificação dessas espécies. Sob esta ótica o objetivo deste
trabalho foi identificar e quantificar coccídios de aves silvestres de diferentes sub-famílias de Thraupidae no Parque Nacional de Itatiaia (PNI), identificando e classificando as espécies, através de novas descrições e/ou novos hospedeiros. Expedições ocorreram em intervalos mensais entre dois anos no PNI e no seu entorno. Passeriformes foram coletados através de redes de neblina, caracterizados, examinados e soltos em seguida. Amostras com parte fezes e parte solução de K2Cr2O7 a 2,5% foram coletadas e encaminhadas para o laboratório e processadas após período de esporulação por meio do método de Sheather (1923) modificado
por Duszynski e Wilber (1997), quantificadas, fotomicrografadas e caracterizadas morfologicamente. Resultados preliminares demonstram a adaptabilidade da coccidiose ao ambiente silvestre, através da alta prevalência no período estudado com quase totalidade das expedições com valores próximos a 50%, sem sinais clínicos visíveis de coccidiose. A densidade de oocistos foi mais expressiva em áreas mais preservadas e de maior altitude. Dos
passeriformes capturados, 115 pertenciam a Thraupidae, e 6 das 14 subfamílias puderam ser observadas, cinco delas foram positivas. Das 417 amostras, 195 foram positivas, 45% pertencentes a Thraupinae, 83% das espécies e demais morfotipos de coccidios encontrados parasitavam os gêneros Tachyphonus e Tricothraupis.