PATÓGENOS TRANSMITIDOS POR VETORES EM CÃES ATENDIDOS EM UMA CLÍNICA VETERINÁRIA DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO: ANÁLISE RETROSPECTIVA DA OCORRÊNCIA E DOS FATORES ASSOCIADOS
Ehrlichia; Anaplasma; Leishmania infantum; Dirofilaria immitis; copositividade.
As doenças transmitidas por vetores apresentam ampla distribuição na população canina e podem ocorrer de forma concomitante, dificultando o diagnóstico em razão da sobreposição de manifestações clínicas e alterações laboratoriais. Este estudo teve como objetivo investigar a ocorrência de Ehrlichia spp., Anaplasma spp., Dirofilaria immitis e Leishmania infantum em cães atendidos em uma clínica veterinária no município do Rio de Janeiro, avaliar a frequência de copositividades e analisar possíveis associações com características individuais, clínicas e hematológicas. Foi realizado um estudo observacional, retrospectivo, analítico e de corte transversal, utilizando dados e amostras biológicas remanescentes de 391 cães atendidos entre setembro de 2011 e julho de 2012. Foram considerados os resultados do SNAP 4Dx Plus®, para detecção de anticorpos contra Ehrlichia spp. e Anaplasma spp. e de antígeno de D. immitis, e do ensaio imunoenzimático EIE-LVC®, para detecção de anticorpos contra Leishmania infantum. As associações foram avaliadas por testes estatísticos, adotando-se nível de significância de 5%. A positividade para pelo menos um dos agentes foi observada em 14,6% dos cães. Ehrlichia spp. apresentou a maior frequência de soropositividade (10,5%) e esteve associada à condição de cão sem raça definida, a alterações de mucosas, anemia e trombocitopenia, bem como a menores valores de hematócrito, hemoglobina e contagens de eritrócitos, plaquetas e linfócitos. A soropositividade para Anaplasma spp. foi de 1,5% e esteve associada à trombocitopenia e a menores valores de hematócrito e contagens de eritrócitos e plaquetas, embora o reduzido número de positivos limite a interpretação desses achados. Leishmania infantum apresentou soropositividade de 2,8%, sem associações significativas com as variáveis avaliadas. A positividade para D. immitis foi de 2,3% e esteve associada a maior contagem absoluta de eosinófilos. Foram identificados oito cães com dupla positividade e um com tripla positividade, predominando a associação entre Ehrlichia spp. e Anaplasma spp. Os resultados demonstram a circulação simultânea de diferentes agentes transmitidos por vetores e a ocorrência de copositividades reforça a importância de sua investigação conjunta. A etapa molecular, ainda em desenvolvimento, complementará os achados sorológicos e de detecção de antígeno, contribuindo para caracterizar com maior precisão o status infeccioso dos animais.