Espinhos e ferrões: a comunidade de himenópteros visitantes florais do Jardim Botânico da UFRRJ e os fatores que afetam a visitação de flores
redes de interação, abelha, formiga, vespa, temperatura
A ordem Hymenoptera inclui vários insetos que visitam flores (como, formigas, abelhas e vespas) e a coexistência de muitas espécies diferentes na mesma comunidade pode gerar competição interespecífica. Apesar de fazerem parte de uma mesma comunidade, são incomuns os trabalhos que avaliem a forma como estes grupos taxonômicos influenciam toda uma comunidade de himenópteros visitantes florais. Além disso, fatores abióticos também podem ter impacto nestas visitas florais, porque cada organismo responde de forma diferente às variações climáticas. O objetivo do presente estudo é avaliar os fatores abióticos, especificamente a umidade relativa do ar e a temperatura do ar, que podem ter impacto no número e na frequência das interações entre himenópteros e flores e avaliar, por meio de redes de interação, a composição e organização de nichos de toda a comunidade de Hymenoptera florais no Jardim Botânico da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Durante um ano, foram coletadas amostras nesse jardim botânico, compartimentando temporalmente as coletas, de acordo com o período do dia (manhã ou tarde). Foi observada uma influência positiva da temperatura do ar no número de interações e visitas das formigas. Também é possível observar que a maioria destas redes de interação exibem um padrão aninhado e não-modular e um nível médio de especialização da rede. Além disso, as abelhas destacaram-se como as espécies com maior frequência de visitas e com o comportamento mais generalista. Este estudo demonstra como um jardim botânico pode sustentar uma comunidade diversificada de himenópteros visitantes florais em um ambiente urbano e porque consiste numa ferramenta importante para a conservação da biodiversidade.