Diversidade e distribuição de percevejos aquáticos (Hemiptera: Heteroptera: Nepomorpha) no bioma Caatinga
Caatinga, insetos aquáticos, levantamento faunístico, Mata Atlântica, Modelagem de Distribuição Potencial, taxonomia
A biodiversidade brasileira, sobretudo no que tange ao conhecimento entomológico, representa grande desafio para a ciência. Essa lacuna é mais relevante nos insetos aquáticos, que são fundamentais na compreensão de
impactos antrópicos, na estabilidade do habitat e na garantia da qualidade dos recursos hídricos de cada bioma. Dentre os biomas brasileiros, um dos menos conhecidos e amostrados é a Caatinga. Este tem distribuição exclusivamente nacional, presente em nove estados do Nordeste, parcialmente em parte de Minas Gerais. Ainda assim, é subamostrado, possivelmente devido à perspectiva de que o Semiárido não apresentaria grande biodiversidade, hipótese refutada, pelo alto grau de endemismo de peixes e anfíbios nesse Domínio. Um
conhecimento mais aprofundado de sua biodiversidade eliminaria lacunas de distribuição, auxiliando estudos biogeográficos e de conservação. No país, a projeção de táxons de insetos ainda a serem descobertos é grande, com muitos deles podendo ser extintos antes mesmo de serem descritos. A ordem Hemiptera está dentre as mais diversas no território nacional, com cerca de 30 mil espécies registradas. Face aos desafios propostos pela extinção acelerada do Antropoceno, novas abordagens para se estabelecer áreas de conservação para essas espécies são necessárias. Dentre elas, a Modelagem de Distribuição Potencial pode auxiliar na proposição de regiões para Unidades de Conservação mais eficazes e abrangentes, a partir de registros de presença de espécies e variáveis ambientais, técnica que está alinhada com a magnitude da biodiversidade brasileira. Nesse trabalho, foram encontradas três novas espécies da infraordem Nepomorpha, para os gêneros Tenagobia (Hemiptera: Micronectidae), Australambrysus (Hemiptera: Naucoridae) e Ochterus (Hemiptera: Ochteridae) no total, além de registros inéditos de distribuição da infraordem nos estados de Alagoas (28), Bahia (15), Ceará (14), Pernambuco (11), Piauí (8) e Sergipe (23). Ademais, foi proposta uma chave de identificação taxonômica para a família Notonectidae para o Nordeste Brasileiro, e elaborados Modelos de Distribuição Potencial para as espécies Buenoa amnigenus, Belostoma anurum, B. dallasi, B. foveolatum, Buenoa fuscipennis, Buenoa konta, Buenoa micantulum, Buenoa mutabilis, Buenoa platycnemis, Belostoma plebejum, Buenoa salutis, Buenoa tarsalis, Buenoa unguis, Centrocorisa kollari, Gelastocoris flavus, Heterocorixa wrighti, Lethocerus annulipes, Limnocoris pusillus, Martarega bentoi, M. brasiliensis, M. membranacea, Maculambrysus stali e Notonecta disturbata.