Banca de DEFESA: TAILAN MORETTI MATTOS

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : TAILAN MORETTI MATTOS
DATA : 01/06/2019
HORA: 09:00
LOCAL: Sala 34 do icbs
TÍTULO:

O uso da distinção taxonômica, diversidade funcional e modelagem trófica como ferramentas para avaliar as assembleias de peixes em reservatórios com diferentes configurações hidro-ambientais


PALAVRAS-CHAVES:

Impacto antrópico, ecossistemas aquáticos, redundância funcional, Ecopath, espécies-chave, espécies não-nativas, Rio Paraíba do Sul


PÁGINAS: 128
RESUMO:

A construção de reservatórios, ao bloquear sistemas lóticos, criam barreiras
físicas que alteram o regime de vazões e criam novas condições físico-químicas no
ambiente formado, além de atuar como barreira, impedindo a livre migração de
organismos aquáticos. O ambiente lêntico também facilita a entrada de espécies de
peixes não-nativas, que podem levar a extinção local um grande número de espécies
de peixes, especialmente aquelas mais especializadas e menos susceptíveis às novas
condições ambientais. O crescente número de reservatórios em rios tropicais está
ameaçando a biodiversidade aquática em uma escala sem precedentes, constituindo
um dos maiores desafios para populações de peixes, especialmente para os grandes
migradores. O presente trabalho teve como objetivo avaliar e comparar as assembleias
de peixes em oito reservatórios com diferentes configurações hidro-ambientais,
associados à bacia do Rio Paraíba do Sul (RPS): 1) reservatórios que barram o canal
principal do RPS; 2) reservatórios em cascata derivados de abstração de águas do RPS
e, 3) reservatórios isolados. Foram utilizandas três abordagens como ferramenta:
distinção funcional e taxonômica, diversidade funcional e modelagem trófica. Para
avaliar a distinção funcional, taxonômica e diversidade funcional dos reservatórios
foram realizadas amostragens mensais padronizadas da comunidade de peixes entre o
verão de 2011 e 2013, e no inverno de 2017. Trinta medidas em peixes (26
quantitativas e quatro categóricas), representando atributos funcionais associadas à
locomoção, alimentação, estratégia de vida e uso do habitat foram tomadas em 34
espécies dos diferentes reservatórios. A modelagem trófica foi elaborada apenas no
Reservatório de Ribeirão das Lajes (RRL), com base em amostragens mensais
(setembro/2015 a julho/2017) de distintos compartimentos dos consumidores (aves,
zoobentos e peixes), e em informações disponíveis sobre produtores, consumidores
não-peixes e detritos. Dois modelos foram construídos para o Reservatório de Ribeirão
das Lajes, sendo um modelo anual, representando o cenário de cota alto no
reservatório (MCA) e outro modelo adicional representando uma condição adversa,
com cota d’água reduzida no reservatório (MCB). Foram detectadas diferenças nas
assembleias de peixes dos diferentes tipos de reservatórios (canal principal, em
cascata e isolados). O número de espécies não diferiu entre os reservatórios, exceto
em Tocos que foi significantemente menor quando comparado com os demais
reservatórios (F = 6,9 P<0,001). As maiores distinções taxonômicas e funcionais foram
encontradas para os reservatórios isolados, e o inverso deste padrão foi encontrado
para os reservatórios que barram o canal principal do rio Paraíba do Sul. Isto sugere
que a fauna íctica nestes últimos tipos de reservatório é provavelmente composta por

xi
espécies filogeneticamente próximas e morfologicamente semelhantes com maior
redundância taxonômica e funcional. O reservatório de Santana, o primeiro do sistema
em cascata, apresentou os mais elevados índices de diversidade funcional, com
elevada riqueza e uniformidade funcional, baixa originalidade e alta exclusividade. Ao
contrário do que se esperava, os reservatórios de Santa Branca, Funil e Ilha dos
Pombos (construídos no canal principal do Rio Paraíba do Sul), apresentaram os
menores valores destes mesmos índices sugerindo elevada redundância funcional.
Tócos, apesar de ser um reservatório isolado e de menor área, apresentou os maiores
valores de divergência e especialização funcional. A matéria e energia trazida pelo
fluxo da água disponibilizando maior diversidade de habitats nos reservatórios que
barram o canal principal do rio não parecem ser os mais importantes fatores
determinantes para os papéis desenvolvidos pelos peixes nos reservatórios. Os
modelos construídos no RRL revelaram que os principais compartimentos base
(produtores) foram Folhas- Sementes-Frutos e Perifíton, superando o Fitoplâncton. Os
compartimentos Aves Seletivas (NT= 3,8), Aves Generalistas (NT = 3,7) e as espécies de
peixes piscívoras
Hoplias malabaricus (NT = 3,8) e Cichla spp. (NT = 3,6) apresentaram
os maiores NTs estimados para a teia. As principais espécies-chave do sistema foram
aves generalistas, e os peixes
R. quelen e H. malabaricus. Cichla spp., mesmo não
tendo sido considerado como espécie-chave, apresentou elevada biomassa relativa e
alto impacto na teia, mostrando também ter grande relevância para o ecossistema.
Não foram encontradas diferenças na teia trófica entre MCA e MCB, com a biomassa
de alguns compartimentos variando entre os cenários modelados. O valor de
Ascendência foi 25,9, com
Overhead de 74,2, indicou que o RRL é um ecossistema
maduro. Apenas 34 espécies foram registradas nos oito reservatórios, sendo sete delas
espécies não-nativas (ENN). No entanto, estudos apontam a ocorrência de 89 espécies
de peixes em trechos lóticos do Rio Paraíba do Sul, um forte indício de que
reservatórios de fato atuam como um filtro, selecionando espécies com atributos
específicos e facilitando o estabelecimento de ENN. Sugere-se, com base neste estudo,
que a construção de barragens se faça apenas para fins de abastecimento e irrigação, e
que estsa sejam originadas de barramentos fora do canal principal de rios de maneira
a não influenciar de forma tão drástica nos serviços prestados pelos sistemas lóticos,
contribuindo assim para a manutenção da biodiversidade. Como alternativa para
geração de energia sugere-se investimentos em fontes de energia limpa, mas com
menos impacto no ambiente



MEMBROS DA BANCA:
Externo ao Programa - 3020848 - ALBERT LUIZ SUHETT
Interno - 387200 - FRANCISCO GERSON ARAUJO
Externo à Instituição - LUISA RESENDE MANNA
Externo à Instituição - MIRIAM PILZ ALBRECHT
Externo à Instituição - RONALDO ANGELINI
Notícia cadastrada em: 28/05/2019 15:12
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