Banca de DEFESA: ROSA DA SILVA SANTOS

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ROSA DA SILVA SANTOS
DATA : 28/08/2019
HORA: 14:00
LOCAL: Sala 34 do icbs
TÍTULO:

PADRÕES ECOMORFOLÓGICOS EM PEIXES DE UMA BAÍA TROPICAL DO SUDESTE DO BRASIL: ABORDAGENS UTILIZANDO FORMA DOS OTÓLITOS SAGITTAE, FORMA CORPORAL E DIETA


PALAVRAS-CHAVES:

peixes costeiros, otólitos, dieta, morfologia, Baía de Sepetiba


PÁGINAS: 139
RESUMO:

A ecomorfologia de peixes é o estudo das relações entre a forma corporal dos
indivíduos e sua função ecológica, tendo como base primordial a comparação entre os
padrões de variação na forma e os padrões de variação de atributos ecomorfológicos,
como hábitos alimentares e exploração do nicho. Partindo desse princípio, buscou-se
identificar os padrões ecomorfológicos relacionados à forma dos otólitos sagittae, forma
corporal, e dieta de espécies que compõem a assembléia de peixes de uma baía tropical
no sudeste do Brasil. A ictiofauna amostrada foi proveniente da pesca de arrasto de
camarões, predominada por indivíduos de pequeno porte (subadultos) e compreendeu
22 espécies. No segundo capítulo, a análise de agrupamento sobre os dados de contorno
dos otólitos (Análises das Elipses de Fourier - EFA) resultou na identificação de 9
grupos. Os diferentes padrões encontrados significam diferentes formas de otólitos com
diferentes funções, desde os mais compridos e largos (significando maior capacidade
auditiva com forrageio de fundo) até otólitos menores e mais estreitos com rostra
proeminente (significando maior capacidade natatória e menor necessidade de
comunicação acústica). Foi constatada significante correlação direta entre o tamanho
dos otólitos e o tamanho dos peixes para espécies bentônicas que têm otólitos grandes
(M. furnieri, P. brasiliensis e O. ruber). Para as demais espécies, o tamanho do otólito
não apresentou consistente variação em função do tamanho dos indivíduos que são em
sua maioria juvenis. No terceiro capítulo, 13 medidas morfométricas foram tomadas
para o cálculo de 10 atributos ecomorfológicos, os quais foram utilizados para
interpretação dos hábitos de vida, compreensão das adaptações e diferentes usos do
habitat. A análise de Componentes Principais aplicada aos atributos ecomorfológicos
permitiu a identificação de 8 grupos. Os atributos ecomorfológicos que mais
influenciaram na divisão dos grupos foram índice de compressão (IC), índice de
compressão do pedúnculo caudal (ICPCd), altura relativa (AR), posição relativa do olho
(PRO) e comprimento relativo da cabeça (CRC). Os peixes que mais se diferenciaram
nesta análise foram os Pleuronectiformes (com corpos mais altos e comprimidos
lateralmente, indicando serem aptos a deslocamentos verticais com limitada
manobrabilidade) e os Scorpaeniformes (com olhos posicionados dorsalmente e cabeça
relativamente comprida, indicando ser espécie de hábitos bentônicos apta a capturar
presas relativamente grandes), sugerindo diferentes maneiras de explorar o ambiente.
No quarto capítulo, através do levantamento bibliográfico baseado em dados
secundários, concluiu-se que a maioria das espécies estudadas é carnívora ictiófaga,
com alguns casos de canibalismo. Foi notável o uso de crustáceos (Decapoda,
Brachyura, Mysidacea), anelídeos (Polychaeta, Nereidae) e moluscos (Gastropoda,
Bivalvia, Cephalopoda) como itens alimentares de quase todas as espécies, com exceção
do Engraulidae Cetengraulis edentulus, que foi a única espécie exclusivamente
herbívora, predando componentes do fitoplâncton. Esta espécie ficou isolada das outras
nas três abordagens, apresentando elevados valores de ARB, ABO e CRPCd, além de

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otólitos diferenciados com rostra proeminente, borda ventral denteada e hábito
alimentar bastante distinto. Estas características fizeram com que esta espécie
permanecesse como um grupo isolado nos três capítulos. Os Gerreidae Eucinostomus
gula e Eucinostomus argenteus apresentaram consistente similaridade tanto na
morfologia corporal, quanto na morfologia do otólito e hábitos alimentares. Esta
consistente similaridade também foi encontrada para Menticirrhus americanus e
Paralonchurus brasiliensis, que também se mantiveram juntas nas diferentes
abordagens dos três capítulos. Os Pleuronectiformes não apresentaram consistencia e se
separaram nas três abordagens, mas se mantiveram sempre próximos, em grupos
vizinhos, demonstrando alguma similaridade entre eles, dependendo do nível de corte
dos dendogramas. Cathorops spixii não foi utilizado na abordagem de morfologia do
otólito, mas se manteve junto a Orthopristis ruber nos capítulos de morfologia corporal
e dieta. Os Sciaenidae se mantiveram juntos na abordagem de ecomorfologia corporal
(exceto S. rastrifer) e se separaram nas abordagens de ecomorfologia dos otólitos e
dieta, mantendo proximidade formando grupos vizinhos nos dendogramas das
diferentes análises. Os resultados demonstraram a existência de uma associação entre a
morfologia corporal e dos otólitos, e os hábitos de vida e de exploração dos recursos,
particularmente os que se relacionam com a alimentação.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - ALEJANDRA VANINA VOLPEDO
Externo à Instituição - CARLOS ANTÓNIO DA SILVA ASSIS
Interno - 387200 - FRANCISCO GERSON ARAUJO
Interno - 1728466 - JAYME MAGALHAES SANTANGELO
Externo à Instituição - LILIAN CASATTI - UNESP
Notícia cadastrada em: 27/08/2019 13:13
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