ANÁLISE DA DIETA DE TAMANDUA TETRADACTYLA LINNAEUS, 1758 (PILOSA: MYRMECOPHAGIDAE) DO RIO DE JANEIRO E MINAS GERAIS, BRASIL
Animais atropelados, mirmecologia, Nasutitermes
O tamanduá-mirim, Tamandua tetradactyla Linnaeus, 1758 (Pilosa:
Myrmecophagidae), é um pequeno mamífero predador de formigas e cupins. Utilizando
o olfato aguçado para localizar e as garras para romper a estrutura externa das colônias,
este animal é capaz de capturar suas presas com a língua. Apesar do conhecimento
sobre sua dieta, existem poucos estudos descrevendo quais espécies são de fato
consumidas por esses mamíferos. O objetivo deste estudo foi investigar a diversidade e
abundância de espécies de insetos na dieta do tamanduá-mirim e verificar se há algum
padrão. Para tanto, foram analisadas oito amostras de conteúdo estomacal de T.
tetradactyla vítimas de atropelamento na estrada BR-040 coletadas de 2009 a 2014,
entre as cidades de Duque de Caxias (RJ) e Simão Pereira (MG). O conteúdo estomacal
foi removido e preservado em etanol a 70% até ser analisado em estereomicroscópio e
identificado no menor nível taxonômico possível. Foram obtidos 22.832 espécimes,
distribuídos em 54 táxons de insetos de três ordens: Blattodea (Isoptera), Coleoptera e
Hymenoptera. O táxon mais abundante foi Isoptera, representada principalmente pelo
gênero Nasutitermes Dudley, 1890, com 12.352 indivíduos. Para comparar a
similaridade na composição de espécies entre as oito amostras, foi utilizado o teste de
Jaccard, que mostrou baixa similaridade entre elas. Isso sugere que os tamanduás-
mirins se alimentam sem nenhum padrão aparente, provavelmente de acordo com suas
preferências individuais. No entanto, três espécies eram comuns entre as amostras:
Camponotus atriceps (Smith, 1858), C. rufipes (Fabricius, 1775) e Cephalotes pusillus
(Klug, 1824). Tais espécies são muito comuns em áreas de Mata Atlântica perturbadas
por seres humanos, como cidades e estradas. A precipitação total no mês de coleta
demostrou resultados positivos quando correlacionada com a riqueza de espécies de
insetos, sugerindo que este fator possui influência na riqueza de fontes alimentares
disponíveis para os mamíferos.