Padrões de co-ocorrência de espécies de formigas de solo em reflorestamento de Mata Atlântica de pequena escala espacial
filtros ambientais, competição, restauração, Mata Atlântica
O uso de modelos nulos na análise de padrões de co-ocorrência tornou-se uma alternativa
viável para estudar as regras que governam a montagem de comunidades. As comunidades
locais são formadas a partir do pool regional de espécies sob a influência de vários fatores.
Nosso estudo investigou alguns fatores que podem influenciar a formação da comunidade
local de formigas de solo, utilizando matrizes de presença/ausência obtidas de uma floresta
plantada no sudeste do Brasil. Analisamos os padrões de co-ocorrência de 52 espécies de
formigas, de acordo com as guildas, tipos de habitat, períodos de amostragem e algoritmos de
randomização. O padrão aleatório de distribuição das espécies predominou na comunidade,
perfazendo 70% dos resultados, seguido pela segregação, com 21,7%, e padrão de agregação,
com 8,3% dos resultados. Os padrões de co-ocorrência não aleatórios foram mais frequentes
para formigas onívoras, habitats heterogêneos, período seco e algoritmo de randomização
fixo-fixo. As frequências de agregação e segregação foram quase as mesmas entre as guildas
de formigas, prevalecendo os padrões de segregação em todos os casos. Matrizes de habitat
heterogêneos mostraram muito mais segregação do que agregação de pares de espécies,
enquanto que os resultados para as matrizes de habitat homogêneos eram dependentes das
espécies de árvores. Quanto aos períodos de amostragem, encontramos apenas segregação no
período chuvoso, enquanto no período seco, os padrões de agregação e segregação ocorreram
com pequenas diferenças nas frequências. Padrões de co-ocorrência agregado dos pares
formigas nunca foram encontrados no algoritmo fixo-fixo. Nossos resultados mostraram a
importância de analisar vários fatores ao usar padrões de co-ocorrência de espécies para
entender a formação de comunidades locais. Embora a comunidade de formigas demonstre na
maioria dos casos uma estrutura aleatória na distribuição de pares de espécies, mesmo
trabalhando em pequena escala espacial, encontramos evidências a favor da hipótese de
especialização arbórea, sugerindo a importância do uso de diferentes espécies arbóreas em
projetos de restauração para recuperar a diversidade de espécies de formigas.