Banca de DEFESA: CARLOS ALBERTO DOS SANTOS SOUZA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : CARLOS ALBERTO DOS SANTOS SOUZA
DATA : 11/06/2021
HORA: 13:30
LOCAL: on-line
TÍTULO:

Ecologia e comportamento da vespa escavadora, Sphex ingens Smith 1856 (Hymenoptera, Sphecidae): subsídios para a conservação da espécie no Brasil


PALAVRAS-CHAVES:

comportamento de nidificação, distribuição restrita, especialização predatória, marimbondo-caçador, Mata Atlântica de Baixada Costeira


PÁGINAS: 140
RESUMO:

Nos últimos anos, apesar dos muitos avanços alcançados através de pesquisas sobre
conservação de insetos, o agravamento no declínio das populações de inúmeras espécies têm
preocupado os cientistas e colocado em dúvidas a eficácia das políticas e ações governamentais
voltadas à conservação de espécies, principalmente quando mais de ¾ da riqueza de espécies
de insetos catalogada ainda é totalmente desconhecida quanto aos papéis desempenhados no
funcionamento ou manutenção da estabilidade dos ecossistemas naturais.
Sphex ingens Smith
1856 é uma das 147 espécies de Sphecidae com ocorrência confirmada para algumas áreas na
região Neotropical, embora jamais houveram esforços para esclarecer questões básicas da sua
história natural, como o comportamento predatório, capacidade de dispersão e influências das
variáveis ambientais sobre seleção de habitats e distribuição da espécie. Logo, este estudo visou
avaliar a ecologia e o comportamento da vespa escavadora,
S. ingens, a fim de propor ações
para a conservação da espécie no Brasil e direcionar futuras pesquisas. Os objetivos específicos
se concentraram em: (1) avaliar a ecologia de predação de
S. ingens através das relações
predador-presa e os comportamentos relativos ao mecanismo de transporte-aprovisionamento
de presas; (2) analisar a extensão da capacidade de voo de
S. ingens; (3) investigar quais
variáveis da estrutura física do habitat são preditoras nos modelos de seleção dos habitats; e (4)
modelar a distribuição geográfica potencial de
S. ingens na América do Sul, considerando a
influência das variáveis climáticas e de elevação, além de avaliar o grau de proteção oferecido
pelas unidades de conservação brasileiras sobre as áreas de provável ocorrência da espécie. A
ecologia e o comportamento predatório de
S. ingens foi registrado in natura durante expedições
em três localidades no município de Angra dos Reis-RJ. Além disso, 235 indivíduos foram
capturados-marcados-soltos para aferir a capacidade de voo em distâncias testes. As predições
para seleção de habitat foram modeladas a partir da inclusão de 15 variáveis da estrutura do
habitat e sua relação com três tamanhos de paisagem em 93 áreas visitadas no continente e na
Ilha Grande (RJ). Por outro lado, registros obtidos em campo, através de base de dados
indexadas ou obras especializadas, e em coleções entomológicas foram utilizados para modelar
a distribuição potencial da espécie com as variáveis ambientais e estimar a proteção recebida
pelas populações em unidades de conservação. As análises sobre o comportamento predatório

confirmaram elevada predisposição a especialização na captura de duas espécies de esperanças
pseudofilíneas,
Meroncidius sp. e Pleminia vicina (Orthoptera, Tettigoniidae), sendo
provavelmente um importante fator de mortalidade para estas populações de presas. Além disso,
o comportamento de arvorismo das fêmeas pode ser uma importante estratégia para reduzir o
cleptoparasitismo de aves durante o aprovisionamento e/ou economia de energia durante o
transporte das presas. Os ensaios de capacidade de voo, identificaram que a espécie pode voar
longas distâncias (
e.g., 4,5 km ou área de voo de 63,5 km2). Os modelos de seleção de habitat
previram que em paisagens pequenas (3,5 km
2) o tamanho das áreas de nidificação e superfície
não impermeabilizada influenciaram significativamente a escolha da espécie por áreas que
servirão como sítios de nidificação, enquanto que a presença de cursos d’água e o entorno
antrópico são as principais variáveis preditoras em paisagens com 63,5 km
2. Ao longo do trecho
analisado de Angra dos Reis,
S. ingens apresentou padrão de distribuição agregado e restrito a
determinados habitats. O Brasil, mais precisamente a Mata Atlântica, concentra 96,4% dos
habitats adequados para
S. ingens (i.e., 50.845,5 km2) em relação a toda América do Sul.
Entretanto, no caso do Brasil, apenas 20,2% das áreas de provável ocorrência da espécie
encontram-se oficialmente protegidas por unidades de conservação. De maneira geral, os
padrões ecológicos e comportamentais encontrados para
S. ingens foram consistentes e
elucidaram algumas questões acerca da história natural da espécie, embora não exclua a
necessidade de mais pesquisas para consolidação de informações bioecológicas pertinentes ao
manejo de suas populações e dos seus habitats. Certamente, as informações reunidas reforçam
que a espécie requer urgente avaliação de prioridade em termos de
status de ameaça de
conservação. Além disso, a inclusão de
S. ingens na lista de espécies ameaçadas seria de grande
valor estratégico para a conservação a curto prazo no que se refere à proteção preventiva, cuja
compreensão de outros aspectos da história natural requerem maiores detalhes.




MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - FÁBIO PREZOTO - UFJF
Externo à Instituição - RODRIGO ARANDA
Externo à Instituição - ROGÉRIO SILVESTRE
Externo ao Programa - 1767348 - FABIO SOUTO DE ALMEIDA
Interno - 1356331 - JARBAS MARCAL DE QUEIROZ
Interno - 1728466 - JAYME MAGALHAES SANTANGELO
Externo à Instituição - MAURO SÉRGIO CRUZ SOUZA LIMA - UFPI
Notícia cadastrada em: 07/05/2021 11:03
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