Banca de DEFESA: CECÍLIA FERREIRA DE MELLO

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : CECÍLIA FERREIRA DE MELLO
DATA : 01/02/2022
HORA: 14:00
LOCAL: on-line
TÍTULO:

TAXOCENOSE E MORFOLOGIA DE MOSQUITOS (DIPTERA: CULICIDAE) COM ÊNFASE NA TRIBO MANSONIINI EM ÁREAS DO APROVEITAMENTO HIDRELÉTRICO NA AMAZÔNIA, ESTADO DE RONDÔNIA - BRASIL


PALAVRAS-CHAVES:

Mansonia spp., Coquillettidia spp., Hidrelétrica, Amazônia, Ecologia, Morfometria Geométrica, Microscopia Eletrônica, Ovos


PÁGINAS: 140
RESUMO:

As principais zonas úmidas naturais da Amazônia brasileira como igapós, pântanos,
campinas, mangues e várzeas que margeiam nascentes e depressões de terrenos servem
de refúgio para muitos animais e plantas, contribuindo assim para o aumento da
diversidade e produtividade local. Esses ambientes são caracterizados por extremos
hidrológicos de cheia e seca e são, portanto, excelentes modelos para estudos
ecológicos, pois apresentam limites bem distintos e estão sujeitas aos processos de
perturbação motivadas por esses dois períodos. Já nas zonas úmidas antropogênicas, os
processos de distúrbios são provocados por diferentes tipos de ação ou intervenção
humana. Como resultado, grandes lagos são formados durante a construção de
hidrelétricas, mudando completamente a paisagem, eliminando a planície alagável e
transformando o sistema lótico em lêntico, o que tende a favorecer as espécies
flutuantes de macrófitas aquáticas. Em habitats aquáticos detentores de constante
riqueza de nutrientes, baixa turbulência, ausência de espécies predadoras e competidoras
e também condições climáticas propícias, as macrófitas aquáticas têm a capacidade de
aumentar sua biomassa rapidamente, por meio da reprodução sexuada ou assexuada,
constituindo um excelente substrato para muitos animais. A tribo Mansoniini é um
grupo de mosquitos pertencentes a subfamília Culicinae, e estreitamente associada a
esse tipo de ambiente. Com folhas planas para melhorar a flutuação e raízes 

especializadas no transporte de ar, as macrófitas aquáticas formam um micro clima
muito mais rico em oxigênio, e se torna um verdadeiro berçário para diversas espécies
da tribo Mansoniini. As fêmeas de Mansoniini depositam seus ovos em grupos, sob as
folhas dessas plantas, principalmente gramíneas. Ao eclodirem, as larvas cruzam a
coluna d’água e se fixam nas raízes a fim de absorverem oxigênio diretamente do
parênquima, dado que, ao contrário da maioria dos mosquitos, esse grupo não respira na
superfície da água, evidenciando um dos principais motivos dessa habilidosa relação.
As macrófitas aquáticas são vegetais que estão presentes em todos os tipos de massas de
água, mesmo em baixa riqueza ou biomassa, classificadas em submersas, emergentes,
com folhas flutuantes e flutuantes livres. São fundamentais, para o metabolismo dos
ecossistemas, atuando como substrato para algas, sustentando a cadeia de detritos e de
herbívora, portanto, funcionando como compartimento estocador de nutrientes. As
variações sazonais contribuem para que os ecossistemas não sejam estáticos, mas
dinâmicos e variáveis, considerando que e a região amazônica é altamente sazonal, com
duas estações bem definidas: uma chuvosa no inverno amazônico e uma de seca no
verão amazônico. Assim sendo, investigamos a dinâmica populacional de Culicidae
com ênfase na tribo Mansoniini nesses dois períodos, por dois anos consecutivos,
medindo a riqueza, diversidade, dominância em áreas do aproveitamento hidrelétrico na
Amazônia, estado de Rondônia, Brasil. As informações obtidas no presente estudo estão
apresentadas na forma de cinco artigos sobre a bioecologia e morfologia de Culicidae
com ênfase na tribo Mansoniini. A distribuição temporal de mosquitos com ênfase na
tribo Mansoniini é abordada no primeiro capítulo “Distribuição temporal de mosquitos
(Diptera: Culicidae) com ênfase na tribo Mansoniini no bioma Amazônia e a interação
com fatores climáticos”. Os resultados da Análise de Correspondência Canônica
evidenciaram que a variável temperatura máxima foi significativa e apresentou real
influência na distribuição das populações dos mosquitos na área de estudo. Ao mesmo
tempo, na relação entre a riqueza de espécies em cada amostragem com a precipitação
acumulada antes do início da captura e com conjunto de dados avaliados foi observada a
regressão geométrica. Isso representa os dados com um coeficiente de ajustamento
indicando que existe uma correlação positiva entre a quantidade de chuva acumulada
nos dias que precederam as capturas e o número de espécies encontradas. Esses
resultados indicam que a temperatura e a precipitação concentrada nas duas semanas
que antecederam as amostragens foram determinantes sobre as populações de mosquitos
e afetou o padrão da composição da fauna. O segundo capítulo a “Avaliação da
infestação de Mansonia spp. (Diptera: Culicidae) em plantas aquáticas da bacia do rio
Madeira nos ambientes lêntico e lótico, estado de Rondônia, Brasil, avaliou a presença
de imaturos de espécies de Mansonia em diferentes plantas aquáticas da bacia do rio
Madeira em 10 ambientes lênticos e lóticos e correlacionou os fatores abióticos, como
pH da água, O2 dissolvido, condutividade e temperatura com a densidade populacional
desses mosquitos. Essas correlações mostraram um aumento acentuado na estação
chuvosa. Portanto, foram capazes de estabelecer parâmetros preliminares de como as
mudanças ambientais influenciam a ecologia deste importante gênero de mosquitos. O
terceiro capítulo “Padrão de dispersão de Mansonia no entorno da área usina hidrelétrica
na Amazônia Jirau” apresenta dados sobre a dispersão ativa de fêmeas de Mansonia spp. no entorno da usina hidrelétrica de Jirau, usando técnicas de marcação-soltura-recaptura. Foi observado que o comportamento de voo dos espécimes recapturados foi resumido com um conjunto de distâncias médias e máximas percorridas e o movimento de dispersão de Mansonia spp. é realizado predominantemente por voos aleatórios, baixos e curtos, com tendência a permanecer próximo aos criadouros em certos fragmentos de vegetação. No quarto capítulo “Influência da sazonalidade na variabilidade morfológica das asas em populações de Mansonia amazonensis (Theobald) (Diptera: Culicidae)”, são apresentados resultados sobre análise da influência da sazonalidade na variabilidade morfológica das asas em populações de Mansonia amazonensis. Os resultados mostram que o tamanho da asa de Ma. amazonensis aumenta seguindo uma tendência relativamente gradual, sendo menores durante o período seco e maiores no chuvoso. No quinto capítulo “Ultraestrutura de ovos de Coquillettidia venezuelensis (Theobald) (Diptera: Culicidae)”, para encontrar parâmetros diferenciáveis nos exócorios de ovos Coquillettidia venezuelensis foram realizadas observações com auxílio da microscopia eletrônica de varredura, e foi possível constatar que a largura basal dos tubérculos coriônicos externos dos ovos de Cq. venezuelensis é mais semelhante à largura basal dos ovos de Cq. juxtamansonia do que a largura basal dos tubérculos coriônicos de qualquer outra espécie de Coquillettidia para a qual o ovo foi descrito.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - ROSEMARY APARECIDA ROQUE - INPA
Externo à Instituição - MARTHA CECILIA SUÁREZ MUTIS - FIOCRUZ
Externa à Instituição - ANA LAURA CARBAJAL DE FUENTE - FIOCRUZ
Interno - 387289 - ILDEMAR FERREIRA
Interno - 005.893.247-05 - JERONIMO AUGUSTO FONSECA ALENCAR - FIOCRUZ
Externa à Instituição - NATALY ARAÚJO SOUZA - FIOCRUZ
Externo à Instituição - RONALDO FIGUEIRÓ PORTELLA PEREIRA - UEZO
Notícia cadastrada em: 18/01/2022 15:40
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