Taxonomia e ecologia de coccídios de aves silvestres da Ilha da Marambaia: identificação de novas espécies, genótipos, hospedeiros, localidades e pseudoparasitismo
oocisto, prevalência e densidade, morfologia, sequenciamento, Isospora, Eimeria
A Mata Atlântica é um dos biomas prioritários do mundo para ser restaurado, aproximadamente 70% da população brasileira dependem dos serviços ecossistêmicos desse bioma, porém, ele encontra-se em alto grau de ameaça e risco. Nestas áreas remanescentes de Mata Atlântica, destacam-se alguns fragmentos de áreas, os quais mantêm conservados os habitats e nicho ecológicos das espécies. A Ilha da Marambaia está situada no litoral da Costa Verde, ao sul do Estado do Rio de Janeiro. Neste contexto, surge a importância do conhecimento da ecologia das aves silvestres, as quais têm extrema importância na conservação da Ilha da Marambaia. Aves de vida livre coexistem com inúmeros parasitas, em condições de normalidade imunológica não comprometem a sua saúde. Ainda assim, um elevado número de parasitos de aves silvestres ainda não foram descritos taxonomicamente. Os coccídios formam um grupo diversificado e complexo, pertencem aos infrafilo Apicomplexa, são seres vida parasitária intracelular. A ordem Passeriformes é parasitada majoritariamente por coccídios dos gêneros Isospora e Eimeria, pertencentes da família Eimeriidae. Tradicionalmete a estrutura do oocisto esporulado, em especial o número de esporocistos e esporozoítos, é utilizado como característica principal para diferenciar gêneros de coccídios. O monitoramento de prevalência e densidade de coccídios em aves silvestres pode servir como bimarcador de impacto ambiental. O presente estudo tem por objetivo maior identificar (de forma morfológica e molecular) e quantificar coccídios parasitas de aves silvestres de diferentes espécies, famílias e localidades dentro e nas adjacências da Ilha da Marambaia. Neste sentido, este manuscrito de qualificação apresenta uma revisão da literatura científica nos temas de ecologia e taxonomia de coccídios de aves silvestres, e nos capítulos I, II e III, os resultados preliminares do presente estudo. O capítulo I contêm os dados preliminares de identificação, densidade e distribuição de coccídios de aves silvestres capturadas dentro e nas adjacências da Ilha da Marambaia. Os capítulos II e II correspondem respectivamente a dois artigos publicados nos periódicos científicos: Parasitology Research (v. 121, p. 1059-1063, 2022); e Zootaxa (v. 5168, p. 83-91, 2022). Um último capítulo (capítulo IV), o qual está ainda em elaboração, constará no manuscrito final de tese e versará sobre uma nova espécie de coccídio identificado de forma morfológica e molecular.