Uso de Peixes como Bioindicadores dos Impactos Ambientais nas Baías de Paraty e Sepetiba RJ: Biomarcadores Histológicos
brânquias, hepatopâncreas, rim, histologia, bioindicador, cienídeos
A baia de Sepetiba vem sofrendo fortemente com as atividades antrópicas, enquanto a
baía de Paraty mesmo com a presença de fontes de contaminação parece não sofrer
grandes efeitos ambientais. O uso de bioindicadores é considerado uma importante
ferramenta para monitoramento ambiental em ecossistemas aquáticos, no qual a
utilização de peixes é eficiente. A histologia é considerada um biomarcador, podendo
ser utilizada como um eficaz instrumento para analisar os efeitos dos poluentes, além de
outros estressores sobre os peixes. As brânquias, hepatopâncreas e rins são órgãos alvo
para a ação dos poluentes existentes no ambiente aquático podendo se manifestar em
vários níveis de organização biológica, incluindo alterações estruturais. Nesse sentido
foram analisadas alterações histológicas nos órgãos citados, a fim de avaliar o uso dos
peixes Menticirrhus americanus (Linnaeus, 1758) e Micropogonias furnieri
(Desmarest, 1823) como bioindicadores da qualidade ambiental das Baías de Paraty e
Sepetiba, localizadas no estado do Rio de Janeiro. Para a realização do presente estudo
foram utilizados um total de 75 peixes coletados das Baías de Paraty e Sepetiba e foram
realizadas técnicas histológicas nos mesmos. Nas espécies coletadas na Baía de Paraty
as lesões comumente encontradas foram infiltração leucocitária, vasodilatação e
congestão lamelar nas brânquias; hipertrofia celular, dilatação do lúmen tubular e
regeneração tubular nos rins; hipertrofia nuclear, núcleos irregulares, lateralização
nuclear no hepatopâncreas. Enquanto nos peixes da Baía de Sepetiba as alterações de
estágio III, que são as mais relevantes, pois são irreversíveis foram encontradas em
maior quantidade. Além disso, as brânquias foram consideradas o órgão mais indicado
para análise de impactos ambientais, tendo em vista que as percentagens das lesões
analisadas indicam que o tecido branquial sofreu maior ocorrência de alterações
histológicas de estágio III na Baía de Sepetiba. Por conseguinte, as percentagens das
alterações de mesmo estágio encontradas nos hepatopâncreas e rins, mostram-se
inferiores quando comparadas as das brânquias. Assim sendo, biomarcadores
histológicos podem ser utilizados como uma ferramenta de baixo custo como
bioindicador de impactos ambientais por meio da determinação da saúde do
Menticirrhus americanus e Micropogonias furnieri pertencentes a família dos
cienídeos.