Mudanças de longo prazo das assembleias de peixes de praias arenosas da baía da Ilha Grande – RJ
praias arenosas, baía da Ilha Grande, peixes juvenis, recrutamento, mosaicos da paisagem
As praias arenosas são ecossistemas dinâmicos e abrigam uma biota marinha diversa com
relevante importância ecológica e econômica. Apesar da grande abrangência, existem lacunas de
conhecimento acerca da caracterização da biota e influências ambientais para ete tipo de
escossistema. O objetivo do presente estudo foi investigar as mudanças temporais na estrutura
das assembleias de peixes de praias arenosas da baía da Ilha Grande. As amostragens foram
realizadas nos períodos de 2002/2003 e 2017/2018, compreendendo os meses de janeiro à
dezembro em 6 praias arenosas definidas de acordo com características geomorfológicas,
influência da drenagem continental e ocupação humana. Os peixes foram coletados com auxílio
de uma rede do tipo ―picaré‖, com 12m de comprimento x 2,5m de altura; 7,5 mm no centro.
Em cada praia, foram realizados três arrastos, operados manualmente, correspondendo a uma
área aproximada de 240m² por arrasto, no período diurno. Foi coletado um total de 27.142
indivíduos que somaram um peso total de 26.072,70 gramas, representando 24 famílias, 25
gêneros e 80 espécies. As famílias que apresentaram maior representatividade foram Sciaenidae
(10 espécies), Carangidae (8), Haemulidae (5), seguidas de Engraulidae, Gobiidae (4) e Ariidae
(4).sendo as espécies/táxons Atherinella brasiliensis, Anchoa spp, Trachinotus carolinus e
Menticirrhus spp as mais abundantes. Atherinella brasiliensis (65,35%) e representando a metade
de capturas das famílias Gerreidae e Carangidae foi registrado Eucinostomus argenteus (9,39%)
e Oligoplites saurus (6,66%). O segundo período registrou maior número de famílias
representativas em comparação ao primeiro período 2002/2003, tais como Engraulidae (66.71%),
Atherinopsidae (22,59 %), Carangidae e Gerreidae (>3,29%). As amostras do período de
2002/2003 associadas aos preditores de maior transparência e mosaicos de afloramento rochoso
no entorno correspondendo a 7,9% de explicação de variação para as espécies Trachinotus
falcatus, Lutjanus synagris e Strongylura timucu, já o período de 2017/2019 apresentou-se mais
associado a áreas antropizadas e praias com influência de aporte de contribuição de rios de
pequeno a grande porte, condições ambientais estas que propiciaram para uma maior incidência
de contribuição de Albula vulpes, Anchoa januaria, Anchoa spp, Eugerres brasilianus, Genidens
genidens, Genidens barbus e Cathorops spixii. A estrutura de tamanho das espécies diferiu entre
períodos, os menores indivíduos (TL < 5 mm) foram abundantes no período de 2017/2019, em
contrapartida em 2002/2003 houve maior dominância de espécies com TL >9cm, indicando uma
maior incorporação de jovens à comunidade das praias arenosas quando são observados os
padrões temporais ao longo dos 15 anos, além disso nota-se uma homogeneização das
assembleias de peixes com o domínio das espécies do gênero Anchoa spp. Os resultados
encontrados destacam a importância da conservação e gestão integrada dos ecossistemas
costeiros, considerando as complexas interações entre os fatores ambientais locais e as
comunidades biológicas.