Caracterização Morfológica do Pênis de Três Espécies de Leontopithecus Lesson, 1840 (Primates: Callitrichidae).
órgão copulatório, mico-leão, primatas, histologia, estereologia
O gênero Leontopithecus compreende primatas endêmicos da Mata Atlântica, com quatro espécies descritas, todas ameaçadas pela fragmentação do habitat e por doenças como a febre amarela. Este estudo teve como objetivo caracterizar e quantificar, tanto macroscopicamente quanto por meio de técnicas histoquímicas, imuno-histoquímicas, microscopia eletrônica de varredura e estereologia, os elementos do pênis das espécies L. rosalia, L. chrysomelas e L. chrysopygus, estabelecendo parâmetros morfométricos evariações inter e intraespecíficas. Foram analisados 30 pênis, coletados em cadáveres fixados em formol, provenientes do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro (CPRJ). As análises macroscópicas foram realizadas no Laboratório de Ensino e Pesquisa em Morfologia de Animais Domésticos e Selvagens da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ); as histológicas, no Laboratório de Histologia Integrativa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); a microscopia eletrônica de varredura (MEV) foi realizada no Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem (CENABIO-UFRJ); e a estereologia, no Laboratório de Biomorfologia Celular e Extracelular da Universidade Federal Fluminense (UFF). A análise macroscópica revelou que o pênis das três espécies apresentou três partes: raiz, corpo e glande. O comprimento médio do pênis foi de 3,27 ± 0,43 cm em L. rosalia, 3,37 ± 0,50 cm em L. chrysomelas e 3,12 ± 0,53 cm em L. chrysopygus. Não houve diferenças significativas no comprimento entre as espécies. A raiz do pênis apresentou variações no comprimento e diâmetro entre as espécies: L. rosalia
apresentou 0,78 ± 0,17 cm de comprimento e 0,64 ± 0,29 cm de diâmetro; L. chrysomelas, 0,90 ± 0,16 cm de comprimento e 0,63 ± 0,24 cm de diâmetro; e L. chrysopygus, 0,72 ± 0,18 cm de comprimento e 0,45 ± 0,10 cm de diâmetro. Na raiz do pênis, os corpos cavernosos eram dorsais, com fibras colagenosas dispostas de maneira irregular e envoltos por uma túnica albugínea que formava um septo mediano. Em L. rosalia e L. chrysomelas, as fibras musculares lisas estavam presentes. O corpo do pênis também apresentou variações no comprimento e diâmetro: L. rosalia apresentou 2,44 ± 0,41 cm de comprimento e 0,24 ± 0,06 cm de diâmetro; L. chrysomelas, 2,20 ± 0,42 cm de comprimento e 0,33 ± 0,10 cm de diâmetro; e L. chrysopygus, 2,01 ± 0,41 cm de comprimento e 0,30 ± 0,05 cm de diâmetro. A glande foi revestida por epitélio estratificado pavimentoso queratinizado, com espículas, sendo observadas papilas dérmicas em L. chrysomelas. Na glande, foram observadas formas e tamanhos distintos entre as espécies. Em L. rosalia, foi observado 0,23 ± 0,02 cm de comprimento e 0,23 ± 0,03 cm de diâmetro; em L. chrysomelas, 0,27 ± 0,05 cm de comprimento e 0,31 ± 0,06 cm de diâmetro; e em L. chrysopygus, 0,27 ± 0,04 cm de comprimento e 0,28 ± 0,04 cm de diâmetro. A glande apresentou forma triangular em L. rosalia e L. chrysopygus e formato de chapéu de cogumelo em L. chrysomelas. O osso peniano estava localizado na região dorsal da glande em L. rosalia e L. chrysopygus, enquanto em L. chrysomelas, o osso estava no corpo cavernoso à direita do septo mediano. As análises da MEV revelaram diferenças nas espículas da glande, que eram cônicas e voltadas para a região proximal. As espículas em L. rosalia eram curtas e horizontais, enquanto em L. chrysomelas eram dispostas em formato de meia-lua. Este estudo investigou a morfologia e estrutura do pênis em três espécies de Leontopithecus, revelando diferenças anatômicas, histológicas e morfométricas entre elas, como variações no comprimento, diâmetro da glande e morfologia do osso peniano. As análises mostraram que as espécies apresentaram características distintas, como a menor área da uretra e corpo cavernoso em L. rosalia e maior diâmetro do corpo do pênis em L. chrysomelas. Os resultados oferecem novas perspectivas sobre a evolução da morfologia peniana nos primatas e abrem caminho para futuras investigações sobre seleção sexual, estratégias reprodutivas e competição espermática.