Banca de QUALIFICAÇÃO: ROSA DA SILVA SANTOS

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ROSA DA SILVA SANTOS
DATA : 17/04/2019
HORA: 09:00
LOCAL: sala 34 do ICBS
TÍTULO:

Associação entre ecomorfologia corporal, ecomorfologia de otólitos e hábitos de forrageio da ictiofauna acompanhante da pesca de arrasto de camarão na Baía de Sepetiba, Rio de Janeiro, Brasil.


PALAVRAS-CHAVES:

fauna acompanhante, peixes costeiros, otólitos, dieta, forma, Baía de Sepetiba


PÁGINAS: 134
RESUMO:

A ecomorfologia é o estudo das relações entre a forma corporal dos indivíduos e
sua função ecológica, tendo como base primordial a comparação entre os padrões de
variação na forma e os padrões de variação de atributos morfológicos, como hábitos
alimentares e exploração do nicho (NORTON et al. 1995). Partindo desse princípio,
buscou-se analisar a relação entre a ecomorfologia corporal, ecomorfologia dos otólitos
sagittae e hábitos alimentares das espécies, a fim de identificar possíveis ligações entre
estas três diferentes abordagens para a ictiofauna acompanhante da pesca de arrasto de
camarão na Baía de Sepetiba. A ictiofauna acompanhante amostrada foi composta por
indivíduos de pequeno porte (subadultos) e compreendeu 22 espécies. No primeiro
capítulo, 17 medidas morfométricas foram tomadas para o cálculo de 10 atributos
ecomorfológicos, os quais foram utilizados para interpretação dos hábitos de vida e
compreensão das adaptações e ocupação de diferentes habitats. A análise de
Componentes Principais aplicada aos atributos ecomorfológicos permitiu a identificação
de 8 grupos de peixes. Os atributos ecomorfológicos que mais influenciaram na divisão
dos grupos foram índice de compressão (IC), indice de compressão do pedúnculo caudal
(ICPCd), altura relativa (AR), posição relativa do olho (PRO) e comprimento relativo
da cabeça (CRC). Portanto, os peixes que mais se destacaram nesta análise foram os
Pleuronectiformes (com corpos mais altos e mais comprimidos lateralmente) e os
Scorpaeniformes (com olhos posicionados dorsalmente), demonstrando diferentes
maneiras de explorar o ambiente. No segundo capítulo, a análise de agrupamento sobre
os dados de contorno dos otólitos (Análises das Elipses de Fourier - EFA) resultou na
identificação de 9 grupos, e a análise sobre os dados morfométricos identificou 7 grupos
influenciados principalmente pelo tamanho dos otólitos, e pela circularidade. As
diferentes formas de agrupamentos significam diferentes formas de otólitos com
diferentes funções, desde otólitos mais compridos e largos (significando maior
capacidade auditiva com forrageio de fundo) até otólitos menores e mais estreitos com
rostrum proeminente (significando maior capacidade natatória e menor necessidade de
comunicação acústica). Foi constatada significante correlação entre o tamanho dos
otólitos em relação ao tamanho dos peixes para espécies bentônicas e que têm otólitos
grandes (M. furnieri, P. brasiliensis e O. ruber). Para as demais espécies, o tamanho do

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otólito parece pouco variar em função do tamanho dos indivíduos que são em sua
maioria juvenis. No terceiro capítulo, através do levantamento bibliográfico baseado
em dados secundários pode ser concluído que a grande maioria das espécies estudadas é
carnívora ictiófaga (13 espécies), das quais, três praticam também o canibalismo. Duas
espécies são iliófagos/bentófagos, consumindo prioritariamente Crustacea, Molluska e
Anellida. Uma única espécie foi exclusivamente herbívora, predando sobre
componentes do fitoplancton. A maioria das espécies apresentou estômagos com restos
de peixes não identificados, evidenciando hábitos de predação carnívora ictiófaga. No
entanto, foi notável a preferência por crustáceos (Decapoda, Brachyura, Mysidacea),
anelídeos (Polychaeta, Nereidae) e moluscos (Gastropoda, Bivalvia, Cephalopoda)
como itens alimentares de quase todas as espécies. O Engraulidae Cetengraulis
edentulus apresentou elevados valores de ARB, ABO e CRPCd, além de otólitos
diferenciados com rostrum proeminente, borda ventral denteada e hábito alimentar
bastante distinto do restante das espécies amostradas. Essas características fizeram com
que esta espécie se mantivesse em grupo isolado nos três capítulos. Os Gerreidae
Eucinostomus gula e Eucinostomus argenteus apresentaram consistente similaridade
tanto na morfologia corporal, quanto na morfologia do otótilo e hábitos alimenterares.
Esta consistente similaridade também foi encontrada para Menticyrrhus americanus e
Paralonchurus brasiliensis, que também se mantiveram juntas nos três capítulos. Os
Pleuronectiformes não apresentaram consistencia e se separaram nas diferentes
abordagens dos capítulos, mas se mantiverem sempre próximos, em grupos vizinhos,
demonstrando certo nível de similaridade entre eles, dependendo do nível de corte dos
dendogramas. Cathorops spixii não foi utilizado na abordagem de morfologia do otólito,
mas se manteve junto a Orthopristis ruber nos capítulos na morfologia corporal e dieta.
Os Sciaenidae se mantiveram juntos na abordagem de ecomorfologia corporal (exceto S.
rastrifer) e se separaram nas abordagens de ecomorfologia dos otólitos e dieta,
mantendo proximidade formando grupos vizinhos nos dendogramas das diferentes
análises. Os resultados demonstraram correlação entre ecomorfologia corporal,
ecomorfologia de otólitos e hábitos alimentares, sugerindo que a forma dos otólitos
pode estar relacionada não apenas à filogenia, mas também ao uso e exploração do
habitat.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 387200 - FRANCISCO GERSON ARAUJO
Presidente - 387289 - ILDEMAR FERREIRA
Externo ao Programa - 2143107 - LEONARDO MITRANO NEVES
Externo ao Programa - 1341945 - RAFAEL DE ALMEIDA TUBINO
Notícia cadastrada em: 15/04/2019 14:17
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