Banca de QUALIFICAÇÃO: ANDREA CECÍLIA SICOTTI MAAS

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ANDREA CECÍLIA SICOTTI MAAS
DATA : 31/07/2018
HORA: 14:00
LOCAL: Sala 35 do ICBS
TÍTULO:

Estrutura acústica dos chamados de distresse em morcegos e sua relação com o comportamento de forrageio


PALAVRAS-CHAVES:

Bioacústica, comunicação social, playback, predador, comportamento de forrageio, comportamento antipredador.


PÁGINAS: 84
RESUMO:

Vocalizações são empregadas pelos morcegos durante a navegação e a obtenção de
alimentos (e.g., sistema de ecolocalização), mas também cumprem importante papel
nas interações sociais. Dentro desse último aspecto, há os chamados de distresse,
que são audíveis e emitidos em situações de eminente predação. Ao contrário dos
chamados de ecolocalização, ou mesmo de comunicação entre familiares e grupos de
forrageio, entretanto, o distresse tem sido pouco estudado, e sua emissão pode estar
associada a diferentes estratégias de defesa, incluindo a agressão direta ao predador
e a atração de outros morcegos, o que produziria um comportamento de mobilização
em torno do predador, eventualmente facilitando a fuga do morcego em perigo. Tendo
em vista que diferentes estratégias de forrageio podem implicar em maior ou menor
risco de predação, o presente trabalho visa analisar se essas estratégias estão
relacionadas com a estrutura e o uso dos chamados de distresse. Pela diversidade de
dietas e estratégias de forrageio, bem como pela facilidade de amostragem,
filostomídeos compõem um bom modelo para investigar essa relação, e populações
de diferentes espécies vem sendo estudadas com esse propósito em cinco
localidades, sendo quatro na Mata Atlântica e uma Caatinga. Esses morcegos vêm
sendo capturados em redes de neblina e as gravações de seus chamados têm sido
conduzidas com um gravador Song Meter SM4BAT FS Full-Spectrum Ultrasonic
Recorder e microfone ultrassônico onidirecional da Wildlife Acoustics®. Até o
momento, foram amostradas 12 espécies em nove gêneros e cinco subfamílias. Tendo
em vista que parâmetros básicos dos chamados de distresse da maioria dos
filostomídeos ainda não foram descritos, no primeiro capítulo da tese o objetivo
principal é obter essas métricas (duração, frequências mínima e máxima, frequência
de máxima energia e aspereza) e investigar as principais tendências de variação nos
dados, o que será feito através de uma análise de componentes principais
filogenéticos (PCA). Se há diferentes tipos de chamados para agressão ao predador e
para promover comportamento de mobilização, esses padrões podem se mostrar
relevantes nessa análise, separando morcegos que forrageiam em recursos esparsos
(e.g., Carollia) e que atrairiam poucos predadores, daqueles que usam recursos
explosivos (e.g., Artibeus), onde se espera maior predação. No segundo capítulo, a
abordagem é investigar se o comportamento de uso dos chamados de distresse em
morcegos com diferentes estratégias de forrageio (Carollia perspicillata, Artibeus
lituratus e Sturnira lilium). Espera-se que não apenas a estrutura do chamado, mas
seu uso, também esteja relacionado ao comportamento de forrageio, com morcegos
mais sujeitos à predação emitindo chamados de distresse com mais frequência do que
aqueles menos sujeitos a predação. Nesse caso, os morcegos capturados em redes
de neblina foram observados quanto à emissão do chamado no momento de sua
remoção da rede. Adicionalmente, em uma das áreas estudadas foram conduzidos
experimentos de playback, com reprodução de chamadas de distresse das três
espécies. Aqui, a expectativa era de que os chamados da espécie que forrageia em
recursos explosivos seriam mais efetivos em disparar comportamento de mobilização
do que as que utilizam recursos menos abundantes. Os resultados preliminares,
obtidos a partir de 497 capturas de C. perspicillata, A. lituratus e S. lilium, confirmaram
nossa predição de que a espécie que emprega recursos explosivos (A. lituratus) usa o
distresse com mais frequência, mas não houve diferença entre S. lilium e C.

perspicillata. Com respeito aos experimentos de playback, apenas chamados de A.
lituratus resultaram em comportamento de mobilização, o que sugere que os
chamados dessa espécie possuem características particulares favorecendo esse tipo
de resposta em conspecíficos e mesmo morcegos de outras espécies e gêneros.
Esses resultados confirmam nossa hipótese de que os chamados de distresse
evoluíram sob influência do comportamento de forrageio, assumindo em grupos com
mais risco de predação, pela agregação de indivíduos durante a atividade junto à fonte
de alimento, a função de gerar comportamento de mobilização. Espera-se que as
análises da estrutura dos chamados de estresse, ainda em andamento, evidenciem
essa diferenciação, mostrando os elementos que modificam um chamado apenas para
repelir o predador de um que também resulta em comportamento de mobilização.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 012.990.857-68 - ADRIANO LUCIO PERACCHI - UFRRJ
Externo ao Programa - 1545699 - CARLOS EDUARDO LUSTOSA ESBERARD
Externo à Instituição - FLÁVIA GUIMARÃES CHAVES - UERJ
Presidente - 387200 - FRANCISCO GERSON ARAUJO
Notícia cadastrada em: 24/07/2018 10:30
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