Metacomunidade e meta-assembleias de morcegos filostomídeos no território brasileiro
Brasil, Caatinga, Cerrado, distribuição aninhada agrupada, distribuição clementsoniana, distribuição gleasoniana, distribuição randômica, Mata Atlântica
Entender os padrões e processos de distribuição de espécies em macro escala é um dos focos principais da Ecologia e Biogeografia. Recentemente, os Elementos de Estrutura de Metacomunidade (EEM) têm sido uma abordagem explorada para identificar padrões de distribuição de espécies ao longo de gradientes ambientais em ampla escala. Alinhadas a essa abordagem, técnicas multivariadas têm sido utilizadas complementarmente para identificar os processos que estruturam as metacomunidades. No presente estudo, (1) determinamos os padrões idealizados de distribuição de espécies que melhor se ajustam às distribuições observadas dos morcegos filostomídeos em todo território brasileiro e nos biomas Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica; e (2) identificamos a composição do gradiente
ambiental que influencia as distribuições dessas espécies. Para tanto, as espécies foram classificadas como metacomunidade (todas as espécies), meta-assembleia de animalívoros (espécies catadoras insetívoras/onívoras), de frugívoros (espécies frugívoras) e de nectarívoros (espécies nectarívoras). Matrizes de incidência, ‘municípios x espécies’, foram construídas com dados de ocorrência de espécies de morcegos filostomídeos capturados em
todo território brasileiro, na Caatinga, no Cerrado e na Mata Atlântica. Esses dados foram compilados da literatura e da coleção de Mamíferos Adriano Lucio Peracchi localizada no Laboratório de Mastozoologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, Rio de Janeiro. Os municípios foram considerados como unidades amostrais,
pois para realizar a análise de EM é preciso que estas estejam maximamente amostradas. Para critério de seleção, utilizamos os municípios com riqueza de espécies superior a nove. Ao todo, 168 municípios distribuídos irregularmente em 22 estados e 74 espécies de morcegos filostomídeos foram considerados. Um total de 23 variáveis ambientais, incluindo variáveis climáticas e espaciais foram utilizadas. Os três EEM (coerência, substituição de espécies e coincidência de limite) foram analisados para identificar o melhor padrão de distribuição de espécies e sinalizar a existência de um gradiente ambiental estruturador de comunidades. A composição deste gradiente foi determinada através da Análise de Correspondência Canônica. A metacomunidade e as meta-assembleias de morcegos filostomídeos apresentaram variações geográficas nos padrões de distribuição de espécies no território brasileiro, com o padrão clementsiano sendo o mais observado nas regiões amostradas. Esse padrão surge porque as espécies com origens evolutivas similares apresentam os mesmos limites de distribuição, resultando em grupos coesos de espécies que se restringem à regiões biogeográficas específicas ao longo de um gradiente ambiental comum. Outros padrões observados foram o gleasoniano, o aninhado agrupado e o aleatório. Para a metacomunidade e para as meta-assembleias em todas as regiões amostradas, o gradiente ambiental identificado foi composto principalmente por variações na latitude e na temperatura. Os distintos padrões de distribuição encontrados para os diferentes grupos de espécies de morcegos filostomídeos (metacomunidade e meta-assembleias) refletem a grande heterogeneidade ambiental que varia entre os biomas no território brasileiro.