Pesca costeira, pesca recreativa, ictiofauna, composição de captura, descarte, rendimento pesqueiro.
A pesca recreativa é uma atividade de desporto e lazer, praticada por uma grande quantidade de pessoas em todo o mundo, sem o objetivo de comercialização das capturas. Nas últimas décadas, a sua prática tem apresentado um aumento significativo, especialmente em centros urbanos de países em desenvolvimento. Apesar das características desportivas, esta modalidade pode afetar diferentes populações de peixes marinhos, especialmente em ambientes costeiros usados como áreas de reprodução e crescimento. A falta de informações sobre a composição de espécies e o volume das capturas, principalmente em ambientes costeiros, representa uma importante lacuna a ser preenchida. Neste contexto, este trabalho tem como objetivo investigar a composição das espécies capturadas pela pesca recreativa desenvolvida na baía de Sepetiba (RJ), um dos mais importantes ambientes costeiros do sudeste do Brasil. Para isso, dados primários, provenientes de registros das capturas, foram obtidos a partir de um programa de acompanhamento sistemático das pescarias praticadas com embarcações de pequeno e médio porte, além de caiaques entre outubro de 2019 a setembro de 2020. Foram registradas 1.190 pescarias (85 embarcações e 77 barqueiros). O volume total de peixes capturados foi de 63.479,7 kg em 12.268 horas de pesca, gerando um rendimento pesqueiro (CPUE) de 53,3kg/viagem, 7,1kg/pescador e 5,2kg/hora. Foram registradas 52 categorias de espécies em 42 pontos de pesca (pesqueiros). As espécies mais frequentes foram, corvina – Micropogonias furnieri (45,0%), robalo-peva – Centropomus parallelus (26,9%), bagres – Cathorops spixii e Genidens genidens (17,6%), cocorocas – Orthopristis ruber, Haemulon steindachneri e Haemulopsis corvinaeformis (16,7%), espada – Trichiurus lepturus (14,7%) e peroá – Balistes capriscus (11,6%). As espécies que se destacaram em volume de captura foram, T. lepturus (23,4%), B. capriscus (13,8%), olho-de-cão – Priacanthus arenatus (10,0%), M. furnieri (9,2%), dourado – Coryphaena hippurus (6,6%) e pargo – Pagrus pagrus (5,7%). As espécies com maior frequência de descarte foram, C. spixii e G. genidens (58,9%), cação-viola – Pseudobatos percellens (55,6%) e baiacú – Chilomycterus spinosus (53,6%). As capturas realizadas em caiaques se concentraram essencialmente na zona interna e sobre o robalo-flecha (C. undecimalis). A maior riqueza de espécies, assim como a maior quantidade de pescarias (47,3%) foram registradas na zona externa da baía. Mais da metade das capturas foram realizadas em pontos com fundo rochoso e os com iscas naturais (camarão e sardinha). As estações do ano que se destacaram pela maior quantidade de pescarias foram primavera (27,9%) e inverno (27,8%). Padrões sazonais de rendimento pesqueiro bem marcados foram verificados para espécies oceânicas (P. arenatus, P. pagrus e C. hippurus), principalmente durante o outono e inverno. As variações de peso máximo das espécies indicaram tendências de sazonalidade para M. furmieri, P. saltatrix e T. lepturus. Apesar das capturas acessarem uma grande variedade de espécies, as variações registradas determinam um padrão de diferenciação espaço-temporal bem marcado. A identificação da composição de espécies nas capturas e o reconhecimento dos padrões de variação no espaço e no tempo constituem informações fundamentais para a avaliação de eventuais impactos sobre as populações de peixes e contribuem para construção de um cenário mais abrangente do ponto de vista ecossistêmico.