Banca de DEFESA: DANDHARA ROSSI CARVALHO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : DANDHARA ROSSI CARVALHO
DATA : 25/11/2022
HORA: 09:00
LOCAL: on-line
TÍTULO:

β-diversidade taxonômica e funcional como ferramentas para avaliação dos efeitos das Pequenas Centrais Hidrelétricas na ictiofauna de um rio tropical


PALAVRAS-CHAVES:

Impactos antropogênicos, ecossistemas aquáticos, barragens, espécies não-nativas


PÁGINAS: 53
RESUMO:

A construção de barramentos bloqueia os sistemas lóticos, criando barreiras físicas que modificam as condições físico-químicas e alteram o regime de vazões. O novo ambiente formado impede a livre migração da ictiofauna e de outros organismos aquáticos geral que se encontravam estabelecidas no ambiente lótico e precisam passar pelos filtros do ambiente lêntico. Este ambiente, com características lênticas, facilita a entrada de espécies não-nativas, podendo levar à extinção de espécies nativas, principalmente aquelas mais especializadas e mais sensíveis às novas condições ambientais. O barramento nos rios tropicais tem sido uma das principais ameaças a biodiversidade aquática, e tem ocorrido em uma escala sem precedentes. Uma saída para rios médios e de pequeno porte é a construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas a fio d’agua (PCHs), por apresentarem reduzidas áreas de alagamento não formando grandes reservatórios. No entanto, a real influência das PCHs tem sido questionada quanto a seus efeitos na ictiofauna em comparação com os grandes barramentos. Nesse âmbito, o presente estudo teve como objetivo avaliar as influências na ictiofauna de duas PCHs construídas no trecho médio do Rio Paraíba do Sul, um rio de grande importância para o abastecimento hídrico do estado do Rio de Janeiro. O presente estudo teve como objetivo avaliar influências na ictiofauna de duas Pequenas Centrais Elétricas (PCHs), construídas no trecho médio do Rio Paraíba do Sul. Três períodos foram selecionados:  1) um período com cenário totalmente lótico, anterior a construção das PCHs (Pré - 2008); 2) um período imediatamente após a construção (Pós – 2012); e 3) um período após uma década da construção das PCHs (Atual - 2021). Comparações sazonais também foram feitas entre três condições hidro-ambientais: 1) cheias, entre janeiro e março; 2) secas, entre Julho e Agosto; e 3) transição, entre Setembro e Outubro. Para avaliar estas mudanças na ictiofauna, a β-diversidade taxonômica e funcional foram utilizadas, uma vez que avaliam as mudanças na ocorrência das espécies e servem para avaliar tanto a substituição de espécies/funções (turnover) como a perda de espécies/funções (nestedness) em relação ao pool disponível regionalmente.  Para a determinação de 10 tratos funcionais de peixes, foram tomadas 12 medidas morfométricas quantitativas relacionadas ao uso do habitat, alimentação e locomoção. A composição da ictiofauna variou entre os períodos, embora variações sazonais tenham sido menos conspícuas. A maior riqueza foi observada no período Pós, e a menor riqueza no período Atual. A abundância diminuiu consideravelmente no período Atual. A β-diversidade taxonômica e funcional aumentaram ao longo dos três períodos, com a taxonômica aumentando significativamente no período Pós e permanecendo sem diferença significando do período Atual. Por outro lado, a β-diversidade funcional foi similar entre os períodos Pré e Pós, com significante aumento no período Atual. O componente de substituição (turnover) foi o que mais influenciou nos resultados das mudanças nas B-diversidade taxonômica e funcional, enquanto nenhuma mudança temporal foi observada no componente de perda de espécies (nestedness). Ocorreu um processo de heterogeneização da ictiofauna ao longo dos períodos, com aumento na B-diversidade taxonômica e funcional, associados a uma diminuição na riqueza e abundância. Nosso estudo indica que A ictiofauna está sofrendo um processo de reestruturação, devido ao aparecimento de espécies mais tolerantes e a substituição de espécies nativas e sensíveis, o que resultou em uma substituição de funções após uma década de funcionamento das PCHs. Isto sugere que empreendimentos de pequeno porte como as PCHs são prejudiciais para a ictiofauna, devido as mudanças no habitat, ou ainda pelo aparecimento de espécies não nativas e generalistas. Pouco se sabe sobre os reais efeitos de PCHs na ictiofauna e nossos resultados sugerem que é importante entender essas alterações, como elas podem ser prejudiciais para a ictiofauna. Sugere-se a ampliação destes estudos no sentido de fornecer base para medidas de conservação da biodiversidade em ambientes afetados por esses empreendimentos.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - BIANCA DE FREITAS TERRA - UVA-CE
Interno - 387200 - FRANCISCO GERSON ARAUJO
Interno - 1728466 - JAYME MAGALHAES SANTANGELO
Externa à Instituição - MARCIA CRISTINA COSTA DE AZEVEDO - UFRRJ
Externa ao Programa - 058.429.537-57 - TAYNARA PONTES FRANCO
Notícia cadastrada em: 17/11/2022 08:06
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