Morfologia comparativa dos plexos braquiais de mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia, Linnaeus 1766), mico-leão da cara dourada (Leontopithecus chrysomelas, Kuhl 1820) e mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus, Mikan 1823)
Calitriquídeos, membros torácicos, inervação
A morfologia dos plexos braquiais está intimamente relacionada não somente a movimentação dos membros torácicos como também a locomoção dos seres vivos que o possuem. Seu estudo comparado fornece informações que permitem compreender como indivíduos de diferentes espécies podem interagir dentro de seu grupo ou com o meio em que vivem (natural ou cativeiro). O objetivo desta pesquisa foi descrever e comparar as origens e distribuições antiméricas dos nervos do plexo braquial em três grupos de espécies de micos-leões do gênero Leontopithecus. Foram utilizados 32 espécimes machos de micos leões do gênero Leontopithecus (11 L. rosalia, 10 L. chrysomelas e 11 L. chrysopygus) do sexo masculino, oriundos do Serviço de Criação de Primatas Não-Humanos do Centro de Primatologia com diferentes históricos de mortes e cedidos ao Laboratório de Ensino e Pesquisa em Morfologia de Animais Domésticos e Selvagens (LEPMADS) do Departamento de Anatomia Animal e Humana da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Os espécimes foram fixados com perfusão de solução de formaldeído a 10%. As informações encontradas foram representadas através de frequências absoluta e percentual simples. Os ramos ventrais são compostos por três troncos nervosos e dois fascículos: troncos cranial, médio e caudal; fascículos dorsal e ventral. Os plexos braquiais direito e esquerdo foram derivados dos ramos espinhais ventrais C5 a T1 com diferentes frequências em seus arranjos nos três grupos estudados. Estes arranjos tiveram distintas contribuições para a formação dos nervos resultantes entre as espécies. Dentre eles os que suprem a musculatura extrínseca (subclávio, peitoral cranial, peitoral caudal, tóracodorsal, torácico longo e torácico lateral), a musculatura intrínseca (supraescapular, subescapular, axilar, musculocutâneo, mediano, radial e ulnar) e musculatura cutânea através dos nervos cutâneo medial do braço e cutâneo medial do antebraço. Os dados apresentados neste estudo permitem contribuir com informações a respeito da biologia evolutiva e conservação de primatas, sendo eles um grupo de grande importância para a biodiversidade de diferentes ecossistemas, além de serem modelos experimentais para pesquisas em saúde pública.