Fidelidade, comportamento, tamanho de grupo e composição da população do boto-cinza, Sotalia guianensis (Cetacea:Delphinidae) na Baía de Sepetiba - RJ, o que mudou em uma década?
Cetáceo, estrutura dos grupos, conservação
O aumento considerável das atividades antrópicas na Baía de Sepetiba vem promovendoa exposição de inúmeras ameaças a longo prazo na população de boto-cinza, levando a mudanças ecológicas significativas, categorizando como uma futura preocupação na conservação da população residente. O presente estudo teve como objetivo investigar as possíveis mudanças comportamentais, incluindo fidelidade e a estrutura dos grupos de botos-cinza na baía de Sepetiba – RJ na última década. Os dados foram coletados em dois períodos amostrais diferentes na Baía de Sepetiba-RJ: 1. Passado, incluindo os períodos (2006-2007), e 2. Presente, incluindo os períodos de (2017-2019). A técnica de foto-identificação foi utilizada no estudo para analisar o padrão de fidelidade dos indivíduos entre os períodos, observando também o número de grupos dos botos-cinza em cada estado comportamental, investigando possíveis variações sazonais. Além disso, foi avaliado a composição do grupo, a correlação entre indivíduos imaturos e adultos, considerando a presença/ausência de filhotes. O testes U de Mann-Whitney e Qui-quadrado foram aplicados para avaliar se o tamanho e o comportamento dos grupos diferia entre os períodos. Para investigar variações sazonais no tamanho dos grupos entre Passado e Presente, o teste não-paramétrico de Kruskal-Wallis foi realizado durante todas as estações do ano. Os resultados mostraram que em relação à fidelidade, apenas 2,02% dos indivíduos do período passado foram recapturados no período presente, indicando que estes indivíduos utilizavam a região há mais de uma década. Adicionalmente, foi observada uma redução de 71,3% na média dos tamanhos dos grupos, variando entre as estações e uma redução de quase 80% no número de grupos se alimentando. Em seguida, registrou-se maior quantidade de filhotes por grupo observado no período passado, com uma frequência quatro vezes maior comparada ao período presente. Logo, a discrepância em relação ao tamanho de grupo, assim como a fidelidade e o declínio na quantidade de filhotes por grupo, podem ser reflexos tanto pelo tamanho populacional reduzido por conta do morbilivirus quanto ao caráter altamente degradado do habitat, considerando o período passado com menor atividade humana em comparação com o período presente.