Taxonomia e ecologia de coccídios de aves silvestres do sudeste brasileiro: Identificação molecular de Isospora spp.
(Apicomplexa: Eimeriidae) no Parque Nacional do Itatiaia, RJ
oocistos; coccídios; taxonomia; morfologia; biologia molecular; genotipagem; filogenia; Parque Nacional do Itatiaia; Brasil
Os coccídios (Apicomplexa: Eucoccidiorida) são protozoários parasitas frequentemente
observados em amostras fecais de aves silvestres, os quais têm extrema importância
para a biodiversidade, especificidade hospedeira e conservação. O presente estudo teve
como objetivo identificar morfologicamente e molecularmente coccídios de aves
silvestres capturadas no Parque Nacional do Itatiaia, que é uma área protegida com alto
grau de vulnerabilidade no interior do Estado do Rio de Janeiro. Foram capturados e
identificados 76 pássaros de 2 famílias distintas. Duas espécies de coccídios foram
identificadas: Isospora sepetibensis Berto, Flausino, Luz, Ferreira, Lopes, 2008 do novo
hospedeiro Trichothraupis melanops (Vieillot, 1818) (Passeriformes: Thraupidae) e
Isospora massardi Lopes, Berto, Luz, Galvão, Ferreira, Lopes, 2014 de novos
hospedeiros Turdus spp. (Vieillot, 1818) (Passeriformes: Turdidae). Os oocistos destas
espécies foram morfologicamente semelhantes a descrição original, porém, em I.
massardi, os oocistos exibiram diferentes padrões de tamanho associados a cada
hospedeiro Turdus spp. A análise molecular foi conduzida no gene da subunidade 1 da
citocromo c oxidase (COI) e no gene nuclear para o RNA da subunidade menor do
ribossomo (18S). Isospora sepetibensis é o primeiro parasita coccidiano de um
traupídeo do Novo Mundo a ter uma identificação molecular do gene COI . Isospora
massardi exibiu uma diferença genotípica de 3% nas sequências de COI entre Turdus
spp., a qual fundamentou uma discussão ecológica que associa as diferenças
morfométricas e genotípicas a um processo de co-especiação parasita-hospedeiro.