Diversificação e evolução em anuros neotropicais por meio da filogeografia e biogeografia histórica
Biogeografia, Filogeografia, Anfíbios, América do Sul, Brasil, Delimitação de espécie
A biologia possui como uma das suas questões principais, a busca por padrões
de distribuição dos organismos. A ciência que busca identificar os processos que levaram
a formação desses padrões é a Biogeografia. Como o acesso a dados moleculares
aumentou entre as décadas de 1970 e 80, o estudo da Biogeografia se expandiu e então
foi criado o termo Filogeografia, que possui como objetivo principal entender os
processos que atuaram na distribuição geográfica das espécies, baseado em dados
genéticos. Testar os padrões e processos que levaram à essas distribuições em organismos
filopátricos, com baixa vagilidade e com altas taxas de endemismos é interessante quando
se busca entender os eventos históricos geomorfológicos e climáticos. A região
neotropical é uma das regiões mais diversas do planeta, pois abriga uma enorme
biodiversidade, tendo a maior diversidade de anfíbios do mundo, além de possuir uma
geomorfologia diversificada devido ao complexo histórico de evolução do continente e
diversos tipos de eco regiões. Nos últimos milhões de anos o continente sul-americano
passou por severas modificações devido às incursões marinhas, soerguimento de cadeias
montanhosas e o fechamento do Istmo do Panamá, que alterou o clima da América do Sul
completamente. Além destes eventos geológicos, os eventos climáticos também atuaram
na modificação da paisagem neotropical diversas vezes, fazendo com que os domínios
morfoclimáticos florestais expandissem e retraíssem ao longo do tempo, e
consequentemente, as espécies dependentes de habitats florestais, flutuaram junto com os
eventos de expansão e retração destas florestas. Os anuros ocupam uma ampla diversidade
de habitats, possuem baixa vagilidade e muitas espécies possivelmente acompanharam os
ciclos das florestas, tornando-os bons modelos para entender a evolução destes domínios
morfoclimáticos. Com isto, a presente tese apresenta dois capítulos, o primeiro, estrutura
filogeográfica de Boana crepitans e o segundo, aspectos biogeográficos das espécies da
tribo Sphaenorhynchini. Além de apontar informações sobre as conexões históricas entre
os domínios morfoclimáticos florestais da Amazônia e da Mata Atlântica e identificar
alguns principais processos que atuaram na diversificação desses táxons.