Produção de Leite em Pastagens de Capim Massai em Sistemas Agrossilvipastoris
Conforto térmico. Megathyrsus maximus. Sistema sombreamento moderado.
SILVA, Aline Barros da. Produção de Leite em Pastagens de Capim Massai em Sistemas Agrossilvipastoris. 2021. 230 p. Tese (Doutorado em Zootecnia, Produção Animal). Instituto de Zootecnia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, 2021. Uma melhoria no ambiente da criação de animais gera grandes benefícios nos resultados de produção, obtidos dentro da pecuária leiteira em regiões tropicais do Brasil. O objetivo desse trabalho foi avaliar o desempenho produtivo e qualitativo do capim-massai, além do desempenho e comportamento animal de vacas mestiças, em três sistemas de produção, um em monocultivo do capim à pleno sol (pleno sol-SPS) e dois sob regimes de sombra com eucalipto (sombreamento moderado-SSM e sombreamento intenso-SSI). O experimento foi conduzido na Embrapa Agrossilvipastoril (Sinop/MT) no período de 06/01/2018 e 14/06/2019. Foram avaliadas as características estruturais do pasto, perda, aproveitamento e oferta de forragem, valor nutritivo da forragem, microclima, taxa de lotação, comportamento animal, produção individual e qualidade do leite. Os dados foram analisados sob estatística univariada pelo SAS® On Demand e PDIFF (P<0,10) e multivariada (análise discriminante e de componentes principais). Houve diferença de 25 e 50% entre os valores máximos de RFA do SPS e dos SSM e SSI, respectivamente. Os valores médios de ITU foram superiores a 72. A massa de forragem pré-pastejo, a massa de lâminas foliares e de colmos no SSM foram intermediárias aos demais sistemas de produção (6.885, 3.206 e 2.105 kg ha-1MS, respectivamente). Os valores de densidade volumétrica e aproveitamento da forragem também foram intermediários no SSM (109,1 ha-1 cm-1MS e 2.999 kg ha-1MS, em média) em relação aos demais sistemas. Maiores teores de proteína bruta foram obtidos no SSI (13,6%), intermediários no SSM (11,3%) e menores no SPS (10,1%). No verão/2017, a produção individual de leite foi maior no SSI que no SPS, ambas semelhantes àquela do SSM (15,5 kg de leite vaca-1 dia-1). No período de chuvas, as vacas dos sistemas sombreados buscaram por sombra em maior frequência (66,5%, em média) que as do SPS (15,9%). No período de seca, foi verificada frequência intermediária no SSM (59,7%), com maior valor para o SSI (73,2%). Em condições de baixa incidência da RFA, os colmos do capim-massai foram menos espessos e pesados nos sistemas com sombreamento, devido ao manejo do pasto sob 95% de interceptação luminosa. O microclima afetou positivamente o desempenho produtivo do capim-massai a pleno sol, contudo afetou negativamente o teor de proteína bruta de sua forragem. No SSM, houve um equilíbrio entre a produção e a qualidade da forragem do capim-massai, pois foi obtidamaior produtividade do capim-massai em relação ao SSI, e maior teor de proteína bruta da forragem do que no SPS. A produção de leite foi altamente dependente da produção de matéria seca, o que frequentemente é privilegiado nos sistemas em monocultivo do capim. O sombreamento moderado promove equilíbrio entre a produção e o valor nutritivo do capim-massai, assim como ambiência para vacas leiteiras, nas distintas épocas do ano em regiões tropicais do Brasil.