Ocorrência de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos e sua bioacessibilidade em ostras nativas Crassostrea spp.
Biaocessibilidade, derramamento de óle, HPAs, moluscos bivalves.
Os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) são compostos orgânicos derivados de petróleo que possuem grande importância na área ambiental, haja vista seu potencial em causar danos fisiológicos em organismos marinhos e alguns serem reconhecidos como tóxicos, carcinogênicos e mutagênicos em humanos. O objetivo deste trabalho foi identificar e avaliar a concentração de HPAs presentes em ostras de cultivo e da pesca da região do Delta do Parnaiba e avaliar a bioacessibilidade, após a digestão in vitro, desses compostos e o risco potencial do consumo desses organismos. Para a extração e avaliação do perfil e concentração dos HPAs, dois tratamentos em esquema fatorial 2x2 foram utilizados levando-se em consideração a bioacessibilidade - digestão in vitro (ostras in natura e digeridas – fração bioacessível) e a origem dos animais (ambiente natural ou cultivo) com três repetições para cada tratamento. A fração bioacessível foi adquirida após um processo de digestão in vitro, essa fração foi então utiizada para calcular a bioacessibilidade dos HPAs. Foram utilizados dois métodos de extração dos HPAs. A extração de HPAs das amostras in natura, deu-se pelo método QuEChERS. Já a extração dos HPAs nas amostras digeridas (fração bioacessível) foi realizada pelo método de extração líquido-líquido. Ao conjunto de dados referentes às extrações, foi aplicado o teste T (α = 5%) e o teste ANOVA para avaliar o crescimento dos animais durante os períodos de coleta. Os resultados encontrados indicam que as ostras, independente da origem, estão com baixos níveis de contaminação, uma vez que a concentração médias dos 39 HPAs avaliados não foi maior que 100 ng g-1. A bioacessibilidade dos compostos NAF, ACE, A, Cri, BbF e BaP, ficou abaixo de 20% e nenhuma amostra obteve resultado maior que 18 μg kg-1, permanencedo abaixo do nível de preocupação estimado pela ANVISA. Os resultados indicam baixo risco ao consumo de ostras provenientes do Delta do Parnaíba e, portanto, o consumo de ostras de ambiente natural ou de cultivo deve ser estimulado afim de garantir a segurança alimentar das comunidades que dependem direta ou indiretamente deste recurso.