POLIMORFISMOS GENÉTICOS DA αS1-CASEÍNA EM CABRAS LEITEIRAS E ASSOCIAÇÃO COM A QUALIDADE DAS FIBRAS TÊXTEIS DE LEITE
caprinos; polimorfismo; micelas; caseínas; filamentos proteicos.
Resumo: Estima-se que 12 a 15% do leite produzido anualmente no Brasil seja descartado por alterações físico-químicas em sua composição. Seu aproveitamento na elaboração de derivados poliméricos é uma alternativa que proporciona sustentabilidade ambiental e financeira a todos os setores envolvidos. A elaboração de fibras têxteis a partir das proteínas do leite é uma alternativa para realocar o leite de descarte dentro do sistema de produção. A fibra formada a partir das proteínas lácteas é definida como uma fibra química artificial proteica e suas características vão depender da composição química do leite utilizado para produzi-la. O principal componente do leite na produção destas fibras é a proteína, em especial as caseínas, que correspondem em média a 80% do total de proteínas lácteas. A micela de caseína é formada pelas subunidades αs1, αs2, β, κ e por variantes originárias de alterações genômicas que resultam em diferenças estruturais na organização das micelas e podem estar relacionadas a alterações nas características de qualidade da fibra láctea. Em caprinos, o polimorfismo genético no lócus do gene que codifica a αs1-caseína (CSN1S1) é intenso e está associado às variações quantitativas nas frações proteicas do leite, o que confere variação na conformação das micelas. Dessa forma, objetivamos com este trabalho associar os polimorfismos existentes no gene da αs1-caseína em cabras das raças Saanen e Alpina com a qualidade das fibras têxteis produzidas a partir das proteínas do leite. Serão utilizadas 40 fêmeas das raças Alpina e Saanen oriundas do capril da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que serão identificadas quanto aos genótipos para o lócus CSN1S1 e distribuídos em três grupos: genótipos que resultam em leite com alta, média e baixa produção de αs1-caseína. Para produção da fibra serão recolhidos 500 mL de leite por grupo genético e este será desnatado. O processo terá as seguintes fases: coagulação da caseína, dissolução, fiação e coagulação do filamento. Após climatização, a qualidade das fibras será avaliada em máquina de ensaios universais (INSTRON®) a fim de determinar a força de ruptura, tenacidade, alongamento e módulo de Young. As imagens de microscopia eletrônica de varredura das fibras serão utilizadas para verificação das características morfológicas e fratura das fibras utilizando microscópio HITACHI TM3000. As características de interesse serão analisadas utilizando-se o procedimento GLM (General Linear Model) do programa estatístico SAS (Statistical Analisys System, 1998).