DINÂMICA DA DEPOSIÇÃO E DECOMPOSIÇÃO DE SERAPILHEIRA EM SISTEMA SILVIPASTORIL COM EUCALIPTO
Sistemas agroflorestais. Ciclagem de nutrientes. Urochloa decumbens.
SILVA, Leonardo Viana da. Dinâmica de deposição e decomposição de serapilheira em sistema silvipastoril com eucalipto. 2019. 46p Dissertação (Mestrado em Zootecnia). Instituto de Zootecnia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, 2019.
Os sistemas silvipastoris (SSP) são associações de espécies florestais com plantas forrageiras herbáceas ou rasteiras e animais herbívoros que buscam a sustentabilidade de pastagens naturais e cultivadas, além de obter múltiplos produtos vegetais e animais como madeira, carne e leite. A interação dos componentes dentro do sistema gera benefícios mútuos, dentre eles, a ciclagem de nutrientes, proporcionada pela maior deposição e posterior decomposição da serapilheira. Portanto, compreender a dinâmica da deposição e decomposição de serapilheira e suas consequências nos demais componentes é fundamental para se estudar o funcionamento dos sistemas silvipastoris. Para isso, este estudo teve como objetivo quantificar e qualificar a serapilheira deposta e estudar a dinâmica de decomposição em um sistema silvipastoril com eucalipto, comparando as variáveis estudadas com uma floresta secundária semidecidual e monocultivo de Urochloa decumbens, durante as quatro estações do ano, em uma propriedade em Barbacena, MG, de fevereiro a dezembro de 2018. Foi adotado o delineamento inteiramente casualizado, no arranjo de parcelas subdividas no tempo, onde as parcelas foram: Sistema silvipastoril (SSP), Floresta Secundária Semidecidual (FL) e monocultivo de Urochloa decumbens (PS). As subparcelas foram: Verão, Outono, Inverno e Primavera. Foram estudados a deposição de serapilheira, constante de decomposição (k), tempo de meia-vida para decomposição (t0,5), produção de massa de forragem, altura do dossel (alt) matéria seca (MS), matéria mineral (MM), teor de proteína bruta (PB) e fibra em detergente neutro (FDN) na forragem. Quanto a deposição, houve interação significativa (P<0,05) entre os fatores. O SSP apresentou maior deposição em todas as estações, com produção media anual de 12,09 Mg MS ha-1, seguido da FL com 8,13 Mg MS ha-1 e o PS com 1,93 Mg MS ha-1. Entre as estações, não houve diferença significativa (P>0,05) no SSP e no PS, porém a FL teve maior deposição (P<0,05) durante a estação de inverno. O SSP apresentou 65 % de folha, 18% de galho, 15 % de semente e 2% de casca de árvores em sua serapilheira deposta durante o ano. Já a FL apresentou 83% de folha, 15% de galho e 2% de semente. A constante k foi de 0,0021 e 0,0025 g g-1 para SSP e FL, respectivamente, apresentando um T0,5 de 322 dias no SSP e 272 dias na FL. Quanto a produção de massa de forragem, o PS apresentou maior valor na estação verão, enquanto nas demais estações foram estatisticamente iguais. A ALT não apresentou diferença estatistica (P>0,05). O teor de PB, houve diferença significativa entre os tratamentos (P<0,05), onde o SSP foi superior em todas as estações, com media de 12,60% PB, enquanto o PS apresentou media de 9,76% e PB. A FDN, os valores foram maiores (P<0,05) para PS nas estações de verão e inverno. Dentro dos tratamentos, o SSP obteve maior valor (P<0,05) no outono, enquanto o PS obteve no outono e verão. Com base nos dados, conclui-se que o SSP estudado foi capaz de produzir mais serapilheira, enquanto a serapilheira da FL é capaz de se decompor em menor tempo. O luminosidade reduzida do SSP influenciou na produção de massa de foragem somente no verão, porém favoreceu sua qualidade nutricional aumetando o teor de PB e diminuindo a FDN, quando comparado ao PS. Portanto, o SSP é uma alternativa aos sistemas convencionais de produção, podendo gerar sustentabilidade ao sistema.