RESENDE E O LEVANTE PAULISTA DE 1932: ENTRE A HISTÓRIA E A MEMÓRIA
Levante Paulista de 1932; imprensa; Resende; memória; discurso político.
Esta dissertação analisa as representações do Levante Paulista de 1932 produzidas pela imprensa de Resende (RJ). O objetivo é compreender como os periódicos A Lyra e A Opinião noticiaram, interpretaram e procuraram conferir sentido ao movimento, identificando os termos empregados, os posicionamentos pró-paulistas ou governistas e os impactos da guerra sobre a sociedade resendense. A pesquisa adota abordagem histórica e qualitativa, baseada no exame das edições publicadas ao longo de 1932, articuladas a memorialistas, discursos oficiais de Getúlio Vargas, legislação, dados estatísticos e bibliografia especializada. Inicialmente, discute-se a trajetória histórica e a centralidade g eográfica de Resende, bem como as interpretações historiográficas sobre as motivações políticas, econômicas e regionais do movimento. Em seguida, investigam-se a cobertura jornalística do período anterior ao conflito, os meses de hostilidades e o pós-guerra, com atenção à ocupação militar da cidade, à censura, à circulação de informações, ao atendimento de feridos e prisioneiros e aos efeitos sociais e econômicos locais. Os resultados demonstram que, embora os jornais reconhecessem a constitucionalização como reivindicação legítima, rejeitaram sistematicamente a via armada e se aproximaram da retórica do Governo Provisório. Expressões como “rebelião”, “insurreição” e “luta fratricida” foram utilizadas para deslegiti mar a narrativa épica paulista, enquanto Getúlio Vargas e as forças legalistas foram frequentemente associados à ordem, à pacificação e à reconstrução nacional. Verificou-se, contudo, que esse alinhamento não eliminou críticas à censura, aos ataques à liberdade de imprensa e a determinadas políticas governamentais. A comparação entre os discursos oficiais, a imprensa resendense e a imprensa paulista evidencia uma intensa guerra de narrativas, na qual conceitos como revolução, levante, rebelião e constitucionalismo funcionaram como instrumentos de legitimação política e mobilização. Conclui-se que os periódicos analisados atuaram simultaneamente como fontes e agentes históricos, contribuindo para legitimação de um discurso predominantemente governista sobre 1932. A perspectiva de Rese nde revela, ainda, como um conflito nacional foi vivido no cotidiano da cidade e demonstra que a interpretação do movimento permanece marcada por disputas terminológicas, políticas e simbólicas.