“Não há cousa que mais mova, nem excite às virtudes, que o exemplo dos santos”
Identidade Católica, Gênero, relações de poder e o Império Português na escrita de Frei Agostinho de Santa Maria sobre a Ásia (séc. XVIII)
Agostinho de Santa Maria, Gênero, Religião, Poder, identidade católica, Ásia
Em 1699 e durante o primeiro quarto do século XVIII, Frei Agostinho de Santa Maria (1642 -1728) publicou quatro livros nos quais a religiosidade feminina foi tema de sua escrita. Essas obras, cujo espaço geográfico traz à baila a Ásia, serão enfrentadas ao longo deste trabalho no intuito de se discutir as relações entre religião, gênero e poder presentes na escrita do frei, a fim de buscarmos compreender as estratégias discursivas empregadas pelo autor na construção de uma identidade feminina normativa, reforçada por estereótipos relativos à alteridade e cuja retórica forjou a criação de um ideal de mulher cristã, consonante com o que a Igreja católica considerava como exemplar. Além disso, seguindo uma abordagem do orientalismo, essa pesquisa traz à reflexão o contributo da escrita de frei Agostinho de Santa Maria na construção de uma imagem da mulher cristã em espaços considerados da periferia do catolicismo europeu, tomada pelo autor como exemplos para o reino, e como esse discurso pode ser entendido como uma ferramenta para o fortalecimento de uma identidade católica universal.