ENTRE CAMINHOS E ESCREVIVÊNCIAS: A TRAJETÓRIA DO CONSTRUIR-SE EDUCADORA DE QUATRO PEDAGOGAS NEGRAS EGRESSAS DO PARFOR/UFRRJ
Escrevivências. Mulheres Negras. PARFOR. Formação de professores. Memória.
Este trabalho constrói-se pelas trilhas de memórias de mulheres egressas da turma de 2010 do curso de Pedagogia do Plano Nacional de Formação de Professores (PARFOR) ofertado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ. Para tanto, objetiva-se compreender como essas mulheres constituem-se como educadoras, identificando os atravessamentos ao longo de suas trajetórias em um movimento de resistência da Mulher Negra na Universidade. Para tanto, são recuperados diferentes momentos formativos que vão sendo registrados por meio do uso de entrevistas (abertas e fechadas. O trabalho inicialmente evidencia o protagonismo feminino em uma breve abordagem sobre a história e as conceituações do Feminismo no Brasil e no mundo, perpassando pelas ‘ondas do Feminismo’ até o contemporâneo debate sobre o Feminismo Negro. Em seguida, a pesquisa resgata a fala das egressas, concebendo tais narrativas como 'escrevivências', termo desenvolvido por Conceição Evaristo (2016) no movimento de narrar sua história pessoal, como instrumento de resistência e luta do 'corpo, condição e experiência' da Mulher Negra. As narrativas das quatro egressas da UFRRJ são apresentadas ao longo da pesquisa como tradução das vozes de tantas outras Mulheres Negras silenciadas ao longo da história, como memórias em migalhas em suas memórias subterrâneas. A partir dessas ‘escrevivências’, sob análise do paradigma indiciário, a pesquisa infere a respeito dos desdobramentos da formação acadêmica na vida de cada uma das protagonistas, em uma investigação inicial sobre o ‘mar de possibilidades’ advindo da conclusão do curso de graduação em Pedagogia com ingresso via Programa de Professores da educação básica - PARFOR. Para além do lugar de fala, extremamente necessário para o desenvolvimento da pesquisa, o lugar de escuta se faz presente nas narrativas das quatro mulheres egressas. Depreende-se, portanto, que a presente pesquisa de caráter qualitativo compreende as escrevivências como registros legítimos das contribuições do PARFOR como espaço formativo na construção da identidade profissional de professoras negras na contemporaneidade.