Psicanálise em movimento: o que pode a função paterna diante da interrogação da normatividade teórica?
psicanálise; normatividade; universalidade; função paterna
O percurso de pesquisa aqui delineado busca investigar os processos de
normatização do conceito de função paterna no interior da teoria psicanalítica,
tomando como problema central a maneira pela qual determinadas formulações, ao
adquirirem estatuto de universalidade, passam a operar normativamente,
produzindo efeitos de exclusão no interior do campo teórico. Parte-se da
compreensão de que os conceitos psicanalíticos não se constituem como entidades
imutáveis, pairando à margem da temporalidade, mas como construções forjadas
em circunstâncias históricas particulares, elaboradas em resposta a problemas
específicos e permanentemente atravessadas pelas transformações sociais,
culturais e políticas. O objetivo consiste em reconstruir o percurso histórico-
conceitual da função paterna desde as formulações de Sigmund Freud até Jacques
Lacan, examinando os deslocamentos, as ambiguidades e as tensões presentes em
sua elaboração e analisando os processos pelos quais determinadas interpretações
passaram a operar como referências normativas. Metodologicamente, trata-se de
uma pesquisa qualitativa fundamentada em revisão bibliográfica narrativa e situada
no campo da psicanálise em intensão. A investigação articula as contribuições de
Georges Canguilhem acerca da historicidade dos conceitos, a noção de construções
interativas proposta por Ian Hacking, a hesitação como atitude ética desenvolvida
por Thiago Ranniery e a crítica da normatividade formulada por Judith Butler,
tomando-as como operadores para interrogar os processos de estabilização
conceitual. Desse modo, busca-se preservar a abertura do conceito de função
paterna às contingências históricas, sem substituí-lo por uma nova universalidade,
mas interrogando-o em uma teoria comprometida com a singularidade e com a
permanente revisão de seus próprios fundamentos.