MITOS, ARQUÉTIPOS E O REENCONTRO COM O FEMININO ANCESTRAL: Uma amplificação simbólica à luz da Psicologia Complexa
psicologia complexa; matriarcado; patriarcado; união dos opostos; ecologia
Esta dissertação investiga a desconexão histórica e simbólica entre humanidade, natureza e feminino, compreendendo-a, à luz da Psicologia Complexa de Carl Gustav Jung, como expressão de processos culturais e psíquicos relacionados à unilateralidade, à repressão e à fragmentação da experiência humana. A pesquisa, de natureza qualitativa, teórica e bibliográfica, fundamenta-se no processamento simbólico-arquetípico e utiliza a amplificação simbólica para articular fenômenos biológicos, históricos, culturais, mitológicos, ecológicos e psíquicos, preservando as especificidades de cada campo. O primeiro capítulo parte do corpo feminino e revisita aspectos da reprodução, herança materna, sexualidade, prazer, gestação, microquimerismo e envelhecimento reprodutivo, questionando representações que historicamente associaram o feminino à passividade e à fragilidade. O segundo capítulo desloca-se para o imaginário ancestral, analisando o matriarcado, a Grande Mãe, os simbolismos do felino, Bastet e Sekhmet, Kianumaka-Manã e a figura da Prostituta Sagrada, evidenciando imagens relacionadas à autonomia, ao instinto, à criação, à sexualidade e à natureza. O terceiro capítulo acompanha a consolidação histórica e simbólica do patriarcado por meio de mitos, instituições e acontecimentos relacionados ao controle do corpo feminino, à violência, à colonização, à escravidão, à racionalidade moderna e ao apagamento das mulheres na produção do conhecimento. O quarto capítulo, orientado pela simbologia alquímica da Coniunctio, reúne diferentes imagens culturais da relação entre masculino e feminino e propõe a integração dos opostos como horizonte da individuação. Os resultados da análise indicam que a desconexão investigada não deve ser compreendida apenas como fenômeno histórico ou social, mas também como dinâmica simbólica e psíquica, na qual dimensões separadas tendem a retornar de forma compensatória. Conclui-se que a reconexão com o feminino e com a natureza não implica o estabelecimento de uma nova supremacia, mas a superação da lógica de unilateralidade por meio de relações de reciprocidade, interdependência e integração entre diferenças.