“E quanto mais longe da terra, tanto mais longe de Deus”: gestando futuros decoloniais (título
provisório)
futuros, sagrado, crise climática
A música de Gilberto Gil dá título a esse texto devido a centralidade de “sagrado” e “natureza” para uma multiplicidade
de questões que me acompanharam nos últimos anos. O presente trabalho reúne descrições etnográficas de iniciativas
presenciais e digitais de duas grandes empreitadas: o Gesturing Towards Decolonial Futures e o projeto Fé no Clima do
Instituto de Estudos da Religião (ISER). O GTDF é um coletivo de artistas, pesquisadores, ativistas e educadores
envolvidos em experimentos artísticos e práticas pedagógicas experimentais que lidam com violências sistêmicas,
partindo do pressuposto que estamos entrelaçados e somos cúmplices nos danos que excedem os limites do planeta. E a
iniciativa Fé no Clima tem como missão reunir e engajar lideranças religiosas para conscientização de suas
comunidades de fé no enfrentamento à crise climática por meio do diálogo entre cientistas, religiosos, ambientalistas e
representantes de povos originários. Além da convergência entre ética religiosa e ética ambiental e uma constante busca
por justiça climática, a pandemia de covid-19 está absolutamente presente em cada linha da tese. Ela aparece não só
como uma analogia com as crises que enfrentamos, para afirmar que o momento em que ‘se torna óbvio que as pessoas
precisam tomar ações efetivas é o momento em que já é tarde demais’, mas também como mobilizadora de questões
políticas, emocionais e acadêmicas.