COMUNIDADE QUILOMBOLA DA ILHA DA MARAMBAIA:
PROTAGONISMOS, RESISTÊNCIAS E AGENCIAMENTOS DA VIDA
COTIDIANA
Comunidade Quilombola; Ilha da Marambaia; Agenciamentos;
Documentos
Este trabalho é resultado de um estudo do cotidiano dos moradores da Comunidade de
Remanescentes de Quilombolas da Ilha da Marambaia. O acesso à ilha é feito a partir de um
rígido controle por parte da Marinha do Brasil, instituição que por décadas, disputou a posse da
ilha com os moradores. Este processo de disputa culminou na assinatura do Termo de
Ajustamento de Condutas – TAC, em 2015. A entrada neste campo se deu a partir de um Projeto
de Leitura de Editais de acesso ao Ensino Superior, trabalho que seguiu em concomitância à
etnografia do cotidiano dos moradores da ilha. O estudo desdobrou-se em uma antropologia dos
documentos com três fases distintas: inicialmente pela ausência, frente a uma doação verbal de
terras, no período pós abolicionista. Em seguida, pela fase em que os documentos ilegíveis
produzidos pelo Estado interferiram em suas vidas na ilha, para muitos ocasionando na sua
expulsão. A terceira fase, é a atual, momento em que a comunidade registra, produz documentos
e os arquiva. Sua luta se institucionalizou através da criação da Associação de Moradores, e
utiliza a linguagem da burocracia para estabelecer os seus diálogos com o Estado e demais
instituições. Esta terceira fase da comunidade foi observada no cotidiano dos ingressantes do
Projeto de Leitura de Editais na Universidade, durante a qual a linguagem da burocracia parece
ser o caminho para se estabelecer diálogos com as instituições do Estado.