Banca de DEFESA: ALESSANDRA PEREIRA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ALESSANDRA PEREIRA
DATA : 12/11/2025
HORA: 14:00
LOCAL: CPDA – UFRJ Sala de defesa 6º Andar
TÍTULO:

EM CASO DE EMERGÊNCIA, QUEBRE O VIDRO: uma reflexão sobre garantias de
direitos, cuidado e sistema de justiça, a partir da perspectiva de raça, gênero e classe

 


PALAVRAS-CHAVES:

Violência contra a mulher; Letramento de raça e gênero; Justiça ancestral;
julgamento seguro e política de cuidado.

 


PÁGINAS: 238
RESUMO:

O aumento significativo de situações que envolvem os crimes da natureza do feminicídio deveriam
dar pistas sobre os caminhos que devem ser traçados para a reorganização da rota, a fim de
reformular estratégias de prevenção. A partir dessa autoetnografia, entenderemos que fatores
associados ao funcionamento das Rede de Atendimento à mulher em situação de violência são
restritos à ocorrência dos crimes, ou seja: se o crime ocorre, há a atuação, quanto mais crimes,
maior a atuação, quando deveria ser o contrário; deveria se pensar na mitigação das violências com
outras estratégias, mas não há uma ideia de diminuição dos atendimentos dessas mulheres vítimas.
Os crimes de violência doméstica e familiar tem se tornado uma constante e desde os contextos de
pandemia, tem tomado uma crescente aguda que em algumas vezes, tem culminado em crimes de
feminicídios, já que sem a devida atenção do judiciário para essas mulheres, não são evitáveis.
Diante disso, me propus a analisar os elementos que cotidianamente experimento e constituem o
acompanhamento dos casos da Política de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, alguns
julgamentos aos quais tive acesso, julgamentos com a perspectivas de gênero, garantias de direitos
e sistema de justiça, a partir dos marcadores de raça, gênero e classe, passeando pelos belos campos
da Antropologia e da Educação em Direitos Humanos. Para isso, metodologicamente, recorrerei à
análise do conjunto de sentenças as quais consegui ter acesso, relatos de mulheres vítimas de
violência desalentadas, que não veem o judiciário ou qualquer órgão governamental, como algo
que possa ajudá-las, literaturas correspondentes e relatos auto etnográficos. De acordo com a
pesquisa da Agência Brasil e da Geledés (2018), as maiores vítimas de violências são mulheres em
sua maioria, mulheres negras, oriundas da classe trabalhadora, prestadoras de serviços, com baixa

escolaridade, casadas ou em união estável. As agressões foram cometidas por parceiros ou ex-
parceiros íntimos. Para tanto, elencou-se três tipologias relacionadas à motivação dos crimes: 1)

inconformismo; 2) ciúme/posse; e 3) oposição. Contatou-se pouca ou quase nenhuma interação

interinstitucional, locais com escassa estrutura da rede de atendimento. Utilizei-me como estratégia
metodológica, de minhas experiências e vivências sobre o tema, depoimentos de algumas mulheres
das quais atendo de modo independente, com escuta sensível, buscando encaminhá-las, caso
queiram, para as instituições e órgãos competentes. Ressalto ainda, que os relatos que trago, são de
sete mulheres ouvidas em um único mês e uma dessas mulheres, negra, advogada e sem muitos
recursos, cujo caso é mais complexo e depois da minha acolhida, conseguiu intervenção do STF,
para que o agressor, homem branco, possuidor de um vasto recurso financeiro, seja em um tempo
breve, julgado, condenado e preso. Sobre as fontes de dados e sentenças, são de domínio público e
foram disponibilizados por advogadas que cuidam da pauta. Sob tal contexto, constatei múltiplos
desafios quanto a duas principais categorias associadas à Política de Enfrentamento às Violências
contra as Mulheres: a) A dificuldade de acompanhamento das egressas e b) A negação da
necessidade de diminuir o fenômeno. A primeira, associada às instituições componentes da rede de
atendimento à mulher e a segunda, acerca dos crimes violência doméstica e familiar. Com esse
estudo pude ver a dimensão do desafio apresentado nas narrativas das mulheres desalentadas ou
nos formatos de políticas institucionais adotadas e que precisam muito melhorar, tanto no campo
da Segurança Pública, para que essas mulheres se sintam seguras, no campo da Justiça, para que
tenham julgamentos justos e pela perspectiva de gênero e no campo da Educação em Direitos
Humanos, para que tenhamos profissionais comprometidos e isonômicos, formados na base.

 


MEMBROS DA BANCA:
Interna - 1280272 - ALESSANDRA DE ANDRADE RINALDI
Externa à Instituição - ANDREZA APARECIDA FRANCO CAMARA - UFF
Presidente - 1767739 - ANNELISE CAETANO FRAGA FERNANDEZ
Externa à Instituição - MARCELLA BERALDO DE OLIVEIRA - UFJF
Interna - 1177632 - MIRIAM DE OLIVEIRA SANTOS
Notícia cadastrada em: 11/11/2025 12:08
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